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5 de outubro de 2013

Entrevista com: Fernanda Campos


"E com o tempo a gente percebe que mais importante do que o reflexo de nosso espelho é o que refletimos em nossa alma" Fernanda Campos


Boa noite, leitores e leitoras. Tudo bem com vocês? Hoje trago mais uma entrevista super bacana com a escritora Fernanda Campos. Fernanda tem 21 anos, mineira e cursa Psicologia. Vamos conhecer um pouco dela e sua opinião sobre diversos assuntos do mundo literário do momento! Let's go.



1- Primeiro, conta pra gente, quando de fato você começou a escrever.
Fernanda: Bom, não sei exatamente quando comecei a escrever. Desde que me lembro estava com algum caderno e caneta na mão, quando ia aos supermercados corria direto pra essa parte da prateleira. Com sete anos uma professora disse que eu tinha jeito, nunca esqueci. Eu estava sempre criando histórias, contando pras pessoas, rabiscando nos cadernos. Primeiro com poemas, depois com romances e tal. Tenho uma mente bastante criativa, estou sempre pensando em escrever. Eu até acho graça quando vejo donos de blogs dizerem que começou a escrever depois de desilusões amorosas. Eu não precisei de nada disso pra perceber que gostava de escrever. Então, não sei definir exatamente quando. Deve ter sido quando fui alfabetizada?!

2. Você ainda tem esses primeiros escritos? 
Fernanda: Infelizmente (ou felizmente?) não. Eu era (e ainda sou) bagunceira demais, ficavam todos numa pasta, de tanto mudar de casa e mudar as coisas de lugar eles se perderam em algum momento. Eu tenho algumas histórias. Mas os poemas, que foi por onde realmente comecei, perdi todos.


3. Acredito que, como muitos escritores, você começou a escrever para se expressar e se auto-desabafar... Mas quando você percebeu que queria ir além?
Fernanda: Me expressar sim, me auto desabafar? Não sei, tenho minhas dúvidas quanto a isso. Acredito que qualquer estilo de arte, tanto escrita, quanto desenhada, cantada, pintada, expressa uma parte da gente. Mas ninguém é parte, somos um todo. Completo e complexo. Mesmo textos desabafos só mostram uma parte do que realmente sentimos. Certo? Também nunca percebi que queria ir além, as coisas foram acontecendo, sem planejamento. Eu sempre quis lançar um livro, mas não me foquei nisso buscando a todo custo... Deixei que as coisas acontecessem, sem criar muitas expectativas (ou, não tanto quanto muita gente cria). Depois, o que veio, recebi de braços abertos, feliz com a minha oportunidade. Nem sei se eu realmente levo a sério. Escrever pra mim é uma necessidade. Tem uma frase de Clarice Lispector, não vou lembrar propriamente o que ela disse, mas era algo como “Não escrevo por prazer, escrevo por uma obrigação que vem de dentro pra fora”. É uma necessidade minha, para mim.

4. Você trás muito da sua vida pessoal para os escritos?
Fernanda: Pessoal mesmo não. Trago a minha visão de vida, o que eu vejo, como eu vejo, como eu penso e repenso e rearranjo as coisas do meu mundo. Mas ninguém sabe exatamente o que sinto ou quem eu sou pelo que lê –me perco nas metáforas e nas vírgulas não dadas. Não sou um ponto final de nenhum texto.

5. O seu blog “Uma dose de café” foi o seu primeiro contato entre o público e seus textos?
Fernanda: Não. Meu primeiro contato com o público foi com minhas web-novelas (acho que hoje dão o nome de fanfics?). Foi no orkut, postando histórias baseadas em casais famosos que comecei a realmente publicar o que fazia. Foi ali também que comecei a ter meus primeiros leitores, que depois viraram grandes amigos, alguns que me acompanham até hoje, mesmo cinco anos depois...


6. Interessante, você diz que é uma necessidade sua de escrever, então, quando você abre espaço em seu blog para os seus leitores contarem suas histórias e você se inspirar nelas para escrever outros textos, isso se transforma numa necessidade dividida com eles ou ainda continua sua? Quando você teve a ideia de ler as histórias dos leitores?
Fernanda: Isso começou inocentemente, eu diria. Algumas amigas me sugeriam músicas ou falavam alguma coisa sobre o que viveram ou mesmo me mandavam frases e eu desenvolvia. Como eu disse, eu tô sempre tendo ideias, minha cabeça está sempre criando coisas. Então para agrada-las eu desenvolvia as ideias delas. E é engraçado porque sempre diziam: como é que você conseguiu retratar o que eu realmente estava pensando? Então pensei que poderia estender isso para outras leitoras também, por que não? É gratificante saber que minhas palavras tocaram de maneira especial quem me lê porque escrevi algo da vida dela, mesmo que tenha sido com as minhas palavras. Ainda é uma necessidade minha. De tocar os outros de algum jeito, eu acho. Mas também é dividida com as leitoras, que, de certa forma, fazem com que meus textos tenham realmente vida e não sejam apenas letras no papel (porque, afinal, um texto só faz sentido quando ele toca uma pessoa, certo?).


7. E sobre a Fanfic, ela ainda existe?
Fernanda: Eu ainda posto fanfics sim, noorkut, como webnovelas.

8. Por que criar um blog? 
Fernanda: Acredita que me pergunto isso quase todos os dias? Foi uma ideia de duas amigas-leitoras minhas, quando comecei a escrever contos. Eu mandava pra alguns leitores próximos para eles lerem e avaliarem, até que uma amiga (que tem blog) disse que eu deveria fazer um, que assim ficaria mais fácil e que outras pessoas conheceriam meu trabalho. E a outra amiga deu força. Foi mais ou menos assim. Eu já havia tentando outros blogs antes, e não haviam dado certo. Fui meio descrente pra esse também. Mas até que tenho o mantido a ativa há um bom tempo...

9. Falando em blog, por que a escolha desse nome? 
Fernanda: O blog veio quando eu já havia decidido o nome do livro (e ele já estava quase todo pronto no rascunho). No meu livro, com nome de Uma Dose de Café, os contos são divididos em duas partes, a primeira no “Café Pingado” –em que é tratado temas mais leves –e a segunda “Forte e Amargo” –para os temas mais pesados. Apenas transferi o nome Uma Dose de Café Pingado pro blog. Na realidade, o nome –tanto do blog quanto do livro –foi baseado numa das minhas frases preferidas, que é do Caio Fernando Abreu, “toma um café, o mundo acabou faz tempo”. Resume bem o que eu penso e o que eu acho da vida.

10. E o que você acha da vida? 
Fernanda: Realmente acredito que a vida é como café. É você quem decide de qual jeito gosta mais –doce, amargo, forte, morno, quente, intenso, preto, colorido, espumado –é você quem dá o tom e o gosto dele. A vida também é assim, não é? É você quem decide o que quer ou não para você. Como seu pedido numa cafeteria. É apenas você o responsável por suas escolhas.

11. Quando você percebeu que queria publicar um livro? 
Fernanda: Eu sempre quis publicar um livro, desde criança, eu sempre dizia “ainda vou escrever um livro, ainda vou”. Sou bastante persistente com as coisas que sonho. Mas quando comecei a fazer esse livro eu só tinha a intenção de mandar pra um concurso, isso se eu gostasse do resultado. No meio do caminho, soube que tinha uma editora que publicava novos autores, sem custos, e fiquei pensando: por que não mandar? Apesar do medo de receber um não, de ouvir críticas, de perceber que não era boa naquilo que sempre amei fazer, com esporros de amigas próximas, eu acabei mandando. Mas não esperava que eles me respondessem tão rápido, nem que seria aceito. Acho que isso que foi o legal, eu não estava esperando grandes coisas. Elas aconteceram.

12. Qual foi a emoção de ver o seu livro pronto? 
Fernanda: A ficha só caiu quando eu o peguei na mão, mesmo, e isso foi no dia do lançamento, minutos antes. É como ter um filho, eu acho. Foi uma das minhas maiores realizações.

13. Pretende lançar outros? 
Fernanda: Pretendo escrever outras coisas sim, e vou buscar o lançamento.

14. Uma coletânea ou um Romance? 
Fernanda: Bem, o meu próximo futuro livro será romance. Mas não impede que eu também não pense em coletâneas...

15. Poderia nos contar algum spoiler do seu futuro livro? 
Fernanda: Por que não? 200 Dias Sem Você –Diário da Sobrevivência Sem O Seu Sorriso conta a história de um casal que não parecia perfeito, era perfeito. Até que foram surpreendidos no meio da rua e tiveram um futuro abortado. É um diário, na verdade, registrado pela mulher dos duzentos primeiros dias de luto –passeando pela raiva, dor, medo, saudade, culpa e depressão, de um jeito que faz com que as pessoas sintam na pele a dor dela. Enquanto tenta superar uma perda que parece insuperável, ela narra a história deles, como se conheceram, as brigas, o amor que os unia, os sonhos despedaçados e como é difícil pra ela seguir em frente sem ele, mesmo não tendo escolha. É uma história de luto, de perda, mas também é uma história de um amor que não termina mesmo quando acaba. Que fim algum pode destruir. Um amor de verdade, que continua, ainda que tenha chegado ao final.

16. Qual é o seu conto favorito e outro nem tanto assim?
Fernanda: Meu conto preferido no livro é Cor Vermelho Sangue –o conto que deu origem a capa, que fala sobre as pessoas de um modo geral e de como elas se perdem no caminho. O que eu não gosto tanto, bem, eu não sei, eu vario muito, tem vezes que leio o livro e acho que é um, tem outras vezes que odeio outro, mas acho que talvez seja Ad Infinittun...

17. Qual escritor você acompanha atualmente?
Acompanho muito desde sempre Sidney Sheldon e Agatha Christie, foi com eles que comecei a ler e me apaixonar por livros. Também estou sempre lendo Emily Giffin, compro todo livro que sai dela. Da literatura nacional estou sempre lendo Martha Medeiros. Mas eu leio de tudo, até bula de remédio... Esses são alguns de uma lista imensa de autores preferidos.

18. Para finalizar, nos diga sua opinião sobre o atual mundo literário. Essa massa ‘densa’ de escritores que surgiram nesses últimos anos e do modo como as editoras os enxergam. Você acredita que o livro se faz apenas pela quantidade do público ou pela sua qualidade em geral? ‘Qualidade’ pode ser relativo atualmente, contudo, você concorda com tudo isso? 
Fernanda: O mercado editorial do Brasil é o que mais cresce atualmente, pelo que andei vendo pelas pesquisas. Isso é bom porque um tempo atrás autores brasileiros eram completamente renegados –bom mesmo era o que vinha de fora –Tenho visto muitos autores jovens nas grandes livrarias e lutando pelo seu espaço. E isso me faz pensar que brasileiros gostam mesmo de ler e de escrever, ao contrário do senso comum...E acho que vale aqui uma consideração aos blogs literários, são eles que acabam incentivando cada vez mais leitores. Quanto a como o livro se faz... Bem, o mercado editorial é um mercado, é natural que ele se alimente de quantidade de público né? O que eu vejo é muito autor bom sem muito espaço e muito autor não tão bom com boas editoras... Mas é o que eu acho, tem muito sucesso literário –inclusive que vem do exterior –que eu acho ruim, que eu não compro, mas não quer dizer que ele não tenha qualidade. Só quer dizer que eu não encontrei nele o que outras pessoas encontraram. O que faz um livro ser bom ou não para cada um é até onde ele te toca, aí está a qualidade do livro, e isso é completamente pessoal. Você pode ler o mesmo livro, mas não quer dizer que enxergará nele as mesmas coisas. A qualidade, então, é relativa. O que eu sempre digo é para não se prenderem a apenas certos autores ou só comprar os livros falados, tem muito livro bom escondido no fundo da livraria. Se deixe se surpreender pelos não tão famosos também.

Nota da Autora:


Oi, gente. Queria agradecer primeiro a Arianne pelo espaço, onde pude falar um pouco do que faço nas horas vagas (e nem tão vagas assim, sendo sincera). Espero que vocês que leram tenham gostado tanto das perguntas (que eu adorei!) como das minhas respostas e caso se interessarem em conhecer o que escrevo, é só dar uma passadinha no meu modesto blog Uma Dose de Café Pingado e conferir de perto o meu pseudo-trabalho da pseudo-escritora que sou. Estou esperando vocês!


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Foi um prazer entrevistá-la, Fê. Uma das melhores entrevista que eu já fiz.