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17 de fevereiro de 2011

Eles


    ...E apenas consegui esta folha para rabiscar o encontro de hoje. Meus dedos tentam desesperadamente minudenciar cada momento, cada palavra ou apenas tentam fugir do apelo da lembrança. Meus pensamentos agora têm como abrigo os dedos velozes dos músculos dando vida às letras redondas num papel qualquer. Afinal, não compreenderíamos a imensidão do prazer se não conseguíssemos vivenciá-las. Lembro-me do pequeno sorriso, do vento perspicaz, e das vagas lembranças remotas que invadiram, desesperadamente, o meu domínio.
Às vezes ainda penso por que a demora. Sentávamos na mesma fila, entravamos na mesma sincronia nas aulas e quando deparávamos com insolências inexprimíveis, descobríamos quantas versões harmônicas, apáticas, e amorosas fazíamos juntos. Meu conceito sobre isso? Tivemos medo, medo de sentir o desprezo um do outro e por isso, nos calamos. Contemplei minha força durantes alguns anos longe de você. Tínhamos nada. Apenas as lembranças? Depois da rotina, marcos do colegial e aquele recreio que se retorcia sempre em busca dos seus olhares. Durante muito tempo ficamos distantes, sem noticias ou telefonemas. Não tínhamos esta intimidade. E agora o destino nos contempla com esta breve saudação de um amor perdido, doido e talvez, moído. Relatos afirmam uma grande tese, a tese do amadurecimento. Admito. Meu corpo agora é mais volúvel, sinto que “ele” amadureceu... Talvez esteja mais apto para uma relação mais opulenta. No entanto, meus pensamentos, devaneios, não estão. Ainda mantenho o sentimento bobo e insolente em sua presença. Ele não amadureceu, ele se resguardou e concluiu quê: Um sentimento não amadurece, ele transforma-se algo ininterruptível, intocado e ao mesmo tempo constante. Dono dos seus sentimentos e afazeres, não importa-se com a minha razão e sim com a sensibilidade. Ele quer mais, ele quer mais de nós. E hoje, nossos olhos novamente se encontravam em meio à neve da cidade iluminada. Nossos sorrisos se comunicaram nossos pés atraídos e nossos braços envolvidos.  Por um momento não sentíamos mais frio. Deixamos ser levados a um mundo só nosso – na verdade um mundo materializado, um cômodo – e lá nossa vergonha não foi exposta e sim um intacto amor correspondido.  Mãos entrelaçadas... Eles.

... E apenas consegui esta folha para rabiscar o encontro de hoje.