Pular para o conteúdo principal

Memórias

As memórias permanecem como uma forte raiz duma árvore impregnada na terra. Firme e chumbada; decidida a não abrir espaços para invasores temporários. Era o que acontecia com estes pensamentos soltos; eles eram insistentes, ameaçadores e inquietos. Tentei a cada noite escapar do infortúnio da falsa solidão que me rondara. Saberia que o desespero apenas me levaria para lugares temoros e desconfortáveis a se pensar. Meus pensamentos não seriam fortes o suficiente para quebrar maldições postas no passado, um passado corriqueiro, mas impiedoso. Realmente não acreditávamos em maldições, mas quando olho-me ao espelho e vejo aquela mudança áspera tomar conta dos meus olhos e possuir toda minha pele involuntariamente; é quando a acredito veemente. Acreditávamos tanto em nós, esperávamos deveras aqueles momentos passageiros e quando aconteciam as horas, minutos e segundos eram imperdoáveis conosco. Nossos corpos eram enérgicos, fortes como a brisa para com o nada. Insensatos beijos eram entregues aos prazeres envolveis e meados pensamentos eram esquecidos pondo sempre em pauta o presente do passado. Sim, hoje creio que naqueles dias acreditávamos em nós. Acreditávamos nas memórias passageiras em longas noites mal dormidas; no desespero da distância e da paixão envolvida. Em olhares inquietantes onde apenas nossas almas as traduziam. Sorrisos pequenos, sorrisos curtos e maliciosos em cantos de sala. Acreditávamos meu amor, acreditávamos em nós, acreditávamos no melhor de nós.
Enlaçávamos cada dia mais, apertávamos cada vez mais, de tal modo que queríamos ser vistos como um só.  Memórias malditas enlaçadas com a areia malfeitiça, eram engolidas, mas nunca esquecidas. Nem com o encanto da minha voz poder-te-ia te chamar, talvez você não a reconhecesse, ela também mudara com o tempo. Talvez sua voz também tivesse mudado e seu olhar já não fosse mais o mesmo.
Memórias incumbidas devem ser lembradas quando você aguenta, quando você suporta o peso invisível que elas trazem. Elas dilaceram o que você menos espera: seus olhos. Eles são os nossos espelhos e espelhos quebrados trazem má sorte; acredito em expectativas, e uma delas é acreditar que aqueles olhos por trás da janela são os seus. As memórias em fragmentos se encontrariam e nossos olhos o apogeu dos apaixonados.




Ps: Amados e amadas! Responderei todos vocês e obrigada pelo imenso carinho que muitos tiveram mesmo com  minha ausência. 

Comentários

  1. Nossa Arih, que falta eu estava sentindo dos seus textos.
    E esse está magnífico. Você expôs cada palavra de uma forma tão viva e apaixonante. Senti daqui cada lembrança retratada, e toda a dor causada. Impossível é não se envolver com essa trama.

    Beijo grande.

    ResponderExcluir
  2. Adorei, estou sem palavras pra descrever o que sentí lendo o texto, me trouxe tantas lembraças e fruntrações em mente, de como mantive á esperança quando o óbvio era dizer não, porque eu sabia que não ia dar certo e mesmo assim de tola tentei outra vez...

    Adorei seu blog, é lindo..

    Dá uma olhadinha?

    http://agarotaperfeitatemdefeitos.blogspot.com/

    Bjoo's

    ResponderExcluir
  3. ''As memórias em fragmentos se encontrariam e nossos olhos o apogeu dos apaixonados.''

    Você escreve muitooo bem Arih!
    Parabéns mesmo! *-*

    Que bom que sempre escreve suas epifanias *-*
    Amo aqui...

    beijos

    ResponderExcluir
  4. ah, seu blog está lindoo!!! \o

    beijos!

    ResponderExcluir
  5. Voltaste com força total. Muito belo seu texto. Estava sentindo saudades deles.
    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Deus do céu, como são cruéis estas memórias!!
    Belíssimo texto, querida
    Beijos

    ResponderExcluir
  7. "seus olhos. Eles são os nossos espelhos e espelhos quebrados trazem má sorte"
    Ameeeeeeei! Lindo.

    ;)

    ResponderExcluir
  8. Nossa, garota! Você realmente sabe fazer de um limão uma incrível limonada.

    ResponderExcluir
  9. Adorei esse texto!
    Beijos meus

    ResponderExcluir
  10. Profundo! Adorei!
    As lembranças podem trazer alegria, mas também podem nos deixar em pedaços...

    Beijo

    ResponderExcluir
  11. MARAVILHOSO! Estou surpresa com o texto que acabei de ler.
    E a frase que mais me tocou entre todas as outras foi: Acreditávamos tanto em nós.
    Espero um dia dizer com toda certeza do mundo que naqueles dias acreditávamos em nós.
    "Memórias incumbidas devem ser lembradas quando você aguenta, quando você suporta o peso invisível que elas trazem. Elas dilaceram o que você menos espera: seus olhos. Eles são os nossos espelhos e espelhos quebrados trazem má sorte;"
    Magnífico! Amei seu texto, parabéns!

    ResponderExcluir
  12. parei de postar lá, pq to com uma preguiça desgraçada. rs
    mas essa semana ai sai a continuação.

    seu blog é lindo!

    ResponderExcluir
  13. mais uma vez parabéns e abrigado pelos elogios, me sinto honrado em ser elogiado por você, obrigado

    ResponderExcluir
  14. As memórias que não se perdem viram textos, canções, poesia...

    Beijo.

    ResponderExcluir
  15. 'As memórias permanecem como uma forte raiz duma árvore impregnada na terra. Firme e chumbada; decidida a não abrir espaços para invasores temporários.'

    Belíssimo texto.

    Tenha um ótimo dia!!
    Bjss meu

    ResponderExcluir
  16. Que texto intenso! E que blog e palavras lindas. Voltarei aqui sempre que puder.

    beijo : )

    www.listrasparanormais.blogspot.com
    www.luriacorreamartins.blogspot.com
    www.ongvirtualfichaverde.blogspot.com

    ResponderExcluir
  17. "Em olhares inquietantes onde apenas nossas almas as traduziam. Sorrisos pequenos, sorrisos curtos e maliciosos em cantos de sala."

    adoro textos como esse seu, cheios de detalhes. principalmente, reações simples como essa, que ganham uma descrição tão maravilhosa.

    adorei MESMO, beijos ;@

    ResponderExcluir
  18. Peço imensas desculpas :x
    Não ando bem e pronto... calhou.

    As suas palavras são muito doces, completam-se a cada frase que passa. Adorei muito! Muitos beijos *

    ResponderExcluir
  19. Sabe, nem eu me entendo querida :( *

    ResponderExcluir
  20. Temos esse pensamento, às vezes temos medo de descobrir-nos.

    ResponderExcluir
  21. [...]

    Vou aqui atrás das minhas palavras e ja volto!
    haha.
    Beijos;

    ResponderExcluir
  22. Muito talento, deveria tentar escrever um livro.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  23. adorei o texto!!! texto intenso e verdadeiro.

    ResponderExcluir
  24. Tipo, "lugares temorosos e desconfortáveis a se pensar" e "Insensatos beijos eram entregues aos prazeres envolveis e meados pensamentos eram esquecidos pondo sempre em pauta o presente do passado." se não for questão de estilo malucão, corrija q é erro.

    ResponderExcluir
  25. Belo texto! curti mesmo!
    parabéns!

    www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

    ResponderExcluir
  26. Fiquei sem palavras. Perfeito! "Memórias incumbidas devem ser lembradas quando você aguenta, quando você suporta o peso invisível que elas trazem. Elas dilaceram o que você menos espera: seus olhos. Eles são os nossos espelhos e espelhos quebrados trazem má sorte" adorei mesmo, beijos :*

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comente, opine, critique.

Postagens mais visitadas deste blog

A nossa história.

(  Acompanhe :   Prólogo   -   Capítulo I  -   Capítulo II ) O ENCONTRO . Naquele dia, ela acordou com uma vontade enorme de sentir-se amada. Estava cansada do lado da cama vazia e não ter ninguém para beijar no dia 12 de junho. Então, ela se arrumou como nunca antes. Escolheu seu melhor vestido, provocou no seu batom e caprichou no olhar, escolheu aquele salto que valorizava suas pernas e soltou os cabelos. Quando se olhou no espelho, se auto admirou. Que tipo de princesa a donzela teria se transformado? Sairia feliz e convicta que estava armada como um cupido do amor. Ela queria um parceiro que a dissesse que a amava e que a queria por toda vida. Passou por tantos pretendentes, mas nenhum a fazia sentir aquele toque de entusiasmo  (borboletas voando dentro da barriga) dentro do coração. Ele, o coração, palpitava cheio de energia quando um suposto príncipe a olhava e chamava para beber, mas no fundo tudo seria passageiro. Ela queria um que dura...

Faltou ar*

                Hoje acordei com aquela baita vontade de te ligar e agradecer tudo aquilo que vivemos. Agradecer por mostrar que o amor realmente existe e pode ser eterno, agradecer por você ter iniciado aquela primeira conversa e não ter cansado de mim. Por ter me dado chances e chances de ser feliz. Por ter orado comigo quando estava fraca de mim mesmo. Por simplesmente, você ter sido você mesmo e permitido me mostrar por inteira - me olhar no espelho através dos seus olhos e querer mais. Eu te agradeço por você ter despertado aquela felicidade antes desconhecida por mim e que se renovava todo dia. Chego fico sem ar quando relembro dos nossos dias, noites, madrugadas e algo que nem era dia nem noite. Você foi aquele que conseguiu me encontrar, na verdade, lapidar aquilo bruto que eu guardava. São muitas as coisas que eu não te disse. Às vezes, não te dizia o quanto eu tava feliz e o quanto eu amava nosso amor poesia . A intensidade é pouco p...

Um cigarro, três palavras.

Sentada daqui de onde estou, consigo ver sua alma gritando por uma resposta. Cruzo as pernas e trago outro cigarro, o último, prometo a mim mesma. Disperso meus pensamentos na paisagem a poucos metros dos meus pés, ah, minha liberdade. Algo me puxa de volta. São seus pés batendo ruidosamento em meu assoalho. Os meus olhos acompanham o movimento forçado dos mesmos. Agora eles sobem para seus braços cruzados fortemente em seus seios, como se tentassem segurar o seu coração que acelera com cada pequeno movimento meu. Acompanho também o pulsar da sua artéria. Tão enlouquente. Logo, foco-me em seus olhos castanhos, normalmente tão profundos e neste instante, tão vazios, desesperançosos. Percebo-me a tempo que esqueci do cigarro em minha mão e o levo a boca novamente. "Sim, eu amo você" digo em um sussurro sabendo que o entenderia. Vejo um sorriso brotar em seus lábios carnudos, tão sutilmente. Era o que ele havia esperado todo este tempo. E eu o dei. { Sthefane Pi...