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7 de fevereiro de 2011

Memórias

As memórias permanecem como uma forte raiz duma árvore impregnada na terra. Firme e chumbada; decidida a não abrir espaços para invasores temporários. Era o que acontecia com estes pensamentos soltos; eles eram insistentes, ameaçadores e inquietos. Tentei a cada noite escapar do infortúnio da falsa solidão que me rondara. Saberia que o desespero apenas me levaria para lugares temoros e desconfortáveis a se pensar. Meus pensamentos não seriam fortes o suficiente para quebrar maldições postas no passado, um passado corriqueiro, mas impiedoso. Realmente não acreditávamos em maldições, mas quando olho-me ao espelho e vejo aquela mudança áspera tomar conta dos meus olhos e possuir toda minha pele involuntariamente; é quando a acredito veemente. Acreditávamos tanto em nós, esperávamos deveras aqueles momentos passageiros e quando aconteciam as horas, minutos e segundos eram imperdoáveis conosco. Nossos corpos eram enérgicos, fortes como a brisa para com o nada. Insensatos beijos eram entregues aos prazeres envolveis e meados pensamentos eram esquecidos pondo sempre em pauta o presente do passado. Sim, hoje creio que naqueles dias acreditávamos em nós. Acreditávamos nas memórias passageiras em longas noites mal dormidas; no desespero da distância e da paixão envolvida. Em olhares inquietantes onde apenas nossas almas as traduziam. Sorrisos pequenos, sorrisos curtos e maliciosos em cantos de sala. Acreditávamos meu amor, acreditávamos em nós, acreditávamos no melhor de nós.
Enlaçávamos cada dia mais, apertávamos cada vez mais, de tal modo que queríamos ser vistos como um só.  Memórias malditas enlaçadas com a areia malfeitiça, eram engolidas, mas nunca esquecidas. Nem com o encanto da minha voz poder-te-ia te chamar, talvez você não a reconhecesse, ela também mudara com o tempo. Talvez sua voz também tivesse mudado e seu olhar já não fosse mais o mesmo.
Memórias incumbidas devem ser lembradas quando você aguenta, quando você suporta o peso invisível que elas trazem. Elas dilaceram o que você menos espera: seus olhos. Eles são os nossos espelhos e espelhos quebrados trazem má sorte; acredito em expectativas, e uma delas é acreditar que aqueles olhos por trás da janela são os seus. As memórias em fragmentos se encontrariam e nossos olhos o apogeu dos apaixonados.




Ps: Amados e amadas! Responderei todos vocês e obrigada pelo imenso carinho que muitos tiveram mesmo com  minha ausência.