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13 de fevereiro de 2011

A viúva

As traças medonhas traçaram-lhe o corpo subidamente. Surpreendido pelo golpe que levará a alma, assustou-se ainda mais pelo autoriado. Aquele corpo maldito que um dia trouxera o prazer ao seu corpo - agora ferido -, lhe enfiara a faca maldosamente, onde os toques carnais, anteriormente ter-lhe-iam feito arder e contorcer algumas noites; revelara à medonha frieza e sutilidade em cravar a faca ao seu corpo. Corpo ferido mente ferida. Um corpo sem alma. O espírito condenado, o autor do assassinato, foi ao alheio acaso, considerado a mais prioresa vítima. Suas mãos não acusavam mais o fator do caso leviano – escondera em sua mente as articulações perversas tratadas com orgulho ao seu prêmio. O sangue antes escorrido agora não está mais na cena. Caminhava como uma viúva nata a caminho do corpo sem vida do marido. Consolada. Inconsolada. Consolações. Escondia na mente o que realmente acontecerá, e com habilidades esplendorosas – lágrimas saiam de seus olhos. Sua situação deprimente foi ofuscada, seu ateou de desejo fora acelerado. Não podia sair da sua cena.
Controlou-se. Mas não poderia desprender-se da atração de suas mãos delineadas de tal grandiosidade de um deus, a fez sonhar com fetiches maldosos. Vira o seu marido sepultado ser e aquelas mãos o enterrarem com fetiches desejara bem-dizer. Mãos que entregava em sua mente o seu troféu. Mãos que enterrava o defunto. O homem agora atraído para seus olhares, assentiu no seu ego o fogo do desejo em suas espinhas. Levantou seus olhos. Respondeu timidamente ao desejo. Ovações espantadas eram declaradas a multidão, o coveiro perdera um pouco do equilíbrio. Saudades da terra antiga o defunto sentia, diziam alguns.  O coveiro agora sentia a flechada ocular atingi-lo descontroladamente. Encontravam-se agora ali.  Não perderam números, milésimos, segundos ou minutos. Jogou o seu corpo lutuoso contra o mármore de um anjo, ousou passar suas mãos másculas entre as peças de sua roupa. Ela contrai-se. Seu íntimo grita para ser encontrado. Suas mãos percorrem mais uma vez o seu corpo, apesar das linhas do tecido o desejado é achado. Seus seios são delineados com suas mãos tão desejadas pela viúva, ela nas palavras em seu ouvido contrai-se, ele atenta. Ela continua. Ela deseja a entrada, aviso-o, ele mostra uma sede insaciável com o prévio. Ela atenta e sede espaço para o intruso, ele não recua. A domina. A possui de forma implacável e literalmente descontrolado.
Ambos ecoam a música da felicidade momentânea. Saciados pelo prazer, o coveiro sorri, demonstra prazer em conseguir dominar aquela mulher. A viúva o surpreende, ele a deseja mais e ela recusa. A cena sanguínea é repetida, e os maldosos dedos encontram a faca maldita, não recuam até acertá-lo pelas costas. Ele apavora-se, ela ri. E como da outra vez, é a última ninfa do prazer dos seus escolhidos. Corpo ferido mente ferida. Recomponha-se como uma viúva sofrida. Ela deseja mais uma vez e outra vez. O coveiro inerte despeja suas lágrimas ensangüentas por todo mármore angelical. Ela o estuda como se tivesse captado uma escultura inglesa – ela quer tocá-lo, mas não ousa. As cenas retornam – o marido o coveiro, ela. Eles não eram os primeiros, testava neles a nova arma treinada. Ela quer fugir, mas quer sentir novamente o poderio dos seus prêmios. Ela deseja mais uma vez e outra vez. Desespera-se, lembra-se que não há ninguém a sua espera. Esqueceu-te da prole, ela sorri.
A noite escura acomoda tranquilamente uma criatura a dormir. 
 Ele acorda e busca um conforto de um sorriso em sua genitora. Sua mãe. Acolho repreendido. Palavras soltas e mais soltas são tampadas pela leveza das mãos da viúva. Ela o toma. O sufoca. Ele sente os olhos de morte. Ele deseja fugir, mas sua força ainda o torna vulnerável à dela.
Mas o corpo maldito torna-se a presa; a medonha faca escondida entre os lençóis infantis mostra-se a cena, ela tenta reagir, mas o seu corpo parece cedente pelo golpe.
Sem reação. Debruça nos braços do seu intercessor, ela sorri. 
Corpo ferido mente ferida, agora, ele, o filho, sorri.