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11 de março de 2011

Aquelas cartas



 São tantas cartas, meu bem. Preciso te perguntar se elas são o suficiente para você não me esquecer. Necessito saber a resposta porque sem ela continuarei as ler suas cartas e elas me sufocam o coração. Aqueles segredos, frases clichês e aquele amor quase doentio - ainda estou a vê-las e escritas por suas letras. Correspondências e suas malditas interferências vêem nelas aquele amor antigo, cedido e intenso. Onde sabíamos compreender nossa distância - porque sonhávamos conosco – e desabrochávamos nos papéis no meio da noite e tentávamos descrever aquele sonho um com o outro. “Ainda penso em você” pensar é doce “Você pensa em mim?” tentar saber o que o outro pensa é amargo. Aqueles papéis, papéis já envelhecidos descrevem o passado, talvez o passado que grite para se tornar presente, mas que se silencie ao olhar o futuro. Tantas frases soltas, elas deixavam-se levar com aquele sentimento. E onde elas foram parar, meu bem? Você já não corresponde o beijo prometido naqueles papéis, o seu correio, sua correspondência já não é a mesma. “Eu te amo” e corávamos de vergonha “Você me ama?” Percebo que estas frases sempre estavam à tona em nossas cartas. Esquecemos de confirmar os sentimentos nas outras linhas; uma garotinha, um rapaz – sentimentos desabrochando. Sorrisos sinceros e lembranças antigas daquele amor. Intensidade madura, pensamentos soltos. “Me ame toda hora, todo tempo...” Tempo esse passado ou tempo presente? É o hoje? Éramos tão pequenos, mas com imensos sentimentos. Tive medo de arriscar mais... Quem sabe não agora? Telefones ocupados. Talvez estivéssemos lendo as cartas na mesma hora do mesmo tempo e queríamos nos falar na mesma hora naquele mesmo momento. O destino é tão perverso, meu quase amor. Você estará lendo nossas cartas? Estou com sua metade e você com a minha, talvez devêssemos compartilhar esta nossa metade e nos completar.  

*Bloínquês