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6 de março de 2011

Chega mais perto

2847993111_56f84b75c7_z_large - Chega mais perto...
Seu corpo respondeu ao chamado e nada mais falou.
- Eu te amo, sabia? Eu te amo... – ele afastou o cabelo caído dos olhos dela.
- Eu também te amo.
- Diz: Eu te amo. O “também” parece que foi uma obrigação ou apenas educação a responder meu sentimento.
- Não posso dizer isso.
- Por que não?
O despertou tocou, era 4h30 da manhã, um deles iria trabalhar.
- Não quero dizer. Não agora.
Ele ficou em silêncio. Será que ele teria se entregado demais? Aquela mulher resumia um pouco da sua vida. Foi com ela que ele sentiu o primeiro desejo de ficar perto todo dia, o primeiro sentimento diferenciado entre outras. Aquela cama estava quente, mas estava quente por que os dois estavam ali – ela era seu aconchego e ele sua caverna. Muito mais do que sentimento ou posse, ele queria que ela fosse feliz, mas desejava que essa felicidade fosse ao seu lado.
- Você não me ama mais? É isso? O que aconteceu? Onde eu errei? – ele não respirava entre as perguntas. Já tinha se levantado da cama, talvez andando um pouco em círculos e tentando olha-la algumas vezes nesses breves segundos. Agora ele estava ali. Sobre a janela do quarto em plena madrugada com o seu corpo nu a olhar o céu negro azul da madrugada.

- Por que tantas perguntas se você já sabe a resposta?
- Como... Como você pode ser tão fria?
- Não estou sendo fria. Estou sendo realista... Quer discutir a relação?
- Não. Não quero discutir o óbvio, que no caso seria o seu descaso por mim.
Agora ela se levantava, mas com calma e ele ainda tentava entender o erro, o erro que levava com sutilidade aquele amor. Situações como essas tende deixar o amor mais fraco, ou talvez iludido com seus próprios sentimentos. Ela pensou isso.
- Nosso amor está fraco e não quero recarregá-lo.
- Você que está fraca! Eu disse que te amo, digo isso todos os dias.
- É por isso que está fraco. Você não dizia com sentimentos, apenas fala com “possíveis sentimentos” quando estamos na cama.
- Eu não acredito...
- Eu que não acredito – sua voz estava calma – Talvez seja apenas o sexo, apenas seja apenas os corpos, mas pra mim vale mais é o sentir do que o toque.
- Filosofia?
- Não. – ela sorriu
- É 4h35 da manhã, vamos dormir – retrucou indo para cama.
- Estou com sono.
- Eu também.
Aconchegaram-se na cama, um deles iria chegar um pouco tarde no trabalho.
- Chega mais perto...
Na escuridão até as vozes tornam-se confusas, talvez ambos possuíssem o desejo de chegar mais perto, ou apenas aquela pessoa.
O galo cantou.