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7 de março de 2011

Com um olhar

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Sempre começávamos com um olhar. Não me entregava à primeira vista, fingia não te ver, com o intuito de ouvir meu nome soado por sua voz. Porque eu sabia que você falaria. Sempre falaria. Então, naquela tardezinha do sábado, poucas pessoas, avenida e o céu com seu tom alaranjado – você me chamou e meu sorriso respondeu. Eram sempre saudações e pequenos silêncios (in)decididos. Desconhecia o sentimento, não sabia defini-lo e possuía o medo de limitá-lo com tal teoria do saber. Acho que não tinha nome ou era apenas aquele avesso inexplicável. A hipótese do amor não funcionava comigo, sentia-me firme como um ponto na sua frase e segura como uma vírgula adequada. Nosso silêncio queria ser quebrado, mas como não somos perfeitos, guardávamos conosco. Ardia. Sofria. Reagia com um adeus. E quando as saudações se esgotavam – elas são tão breves – apresentávamos um aperto de mão. Início da nossa despedida. Aquele aperto de mão queria ser transformado num abraço e depois numa ponte inabalável para um beijo.
- Eu te quero tanto...
- Eu sei... – palavras soltas, pensamentos altos. Nossas bocas permaneciam no silêncio, mas nossas mentes gritavam para serem ouvidas e isso era demonstrado pelo olhar. Com um olhar.