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13 de março de 2011

Sobremesa


Sorrisos, discussões ou diálogos são postos sobre a mesa e quando as brigas incomodam ou afetam alguns ali sentados, dedos indicadores mostram-se ativos sobre outros rostos e insatisfações são declaradas. Velhas feridas novamente abertas e aquela sensação perplexa perdida há muito tempo é novamente sentida. Alguns com autoridade, pelo avanço da idade, batem na mesa ordenando silêncio. Outros ignoram e terminam sua janta ainda sobre a mesa. Enquanto outros usam o esconderijo, nem tão escondido assim, ao descaso abaixo da tabula retângula. Olhos não vêem. Pessoas nem tão anônimas assim e pernas curiosas esticadas, deliberadamente, a procura de outras. Olhares discretos. Ótima janta, poderia dizer outro ao vento, enquanto o próprio chão presencia as sensações descobertas. De quem seriam estes pés? Tão macios. Tão másculos. Tão. Tão.

Aquele sorriso desajustado, aquele olhar inquieto e perverso. Acredita ter encontrado a dona daquelas pernas. Um pedido ao toalete. Um pedido de licença ao telefone. E um único encontro naquele corredor.

Abraços, beijos e sussurros num mesmo instante. Fotografias postas sobre a parede mostravam os rostos deles. E nelas seus corpos estavam separados e abraçados com outras pessoas. E os diálogos ainda continuavam na mesa, pois, nem tudo deve ser posto sobre ela. Alguns levam como nome: sobremesa. Comida típica na mesa de alguns.