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30 de março de 2011

Vik - Parte II


Um pouco da Vik:
Terça-feira, 12 de fevereiro.
Maldito despertador. Minhas costas doíam quando acordei, na verdade elas continuam doendo. Hoje faz uma semana que estou na minha nova casa e pouquíssimos móveis estão espalhados por ela. Moro num condomínio. Ao total são setes casas e uma garagem com possibilidade para cinco carros. Já imaginou a guerra para estacionar. Minhas férias estão acabando e na minha dispensa apenas há alimentos para mais uma semana. Mas é meu cantinho.
O celular toca. Era 06h23 da manhã.

- Confidencial? – minha visão ainda estava embaçada.
- Alô?
- Bom dia, flor do meu dia.
- Quem é a criança? – não suporto aquelas fúteis mudanças de voz.
- Estressada pela manhã? Nem deveria ter ligado... – ele riu.
- Não gosto de crianças. Quem é?
- Mas que mau humor. É Anderson, neném.
- Tchau. – desliguei o telefone.


Anderson era um ex. Já tinha escrito sobre ele num dos meus diários antigos, mas o diário foi queimado. Não por causa dele, mas de outros garotos. Juntando a moita daqueles desgraçados o fogo foi pouco. Era muito influenciada pelas minhas amigas, ficava com os garotos sem nem ao menos gostar deles. Apenas por beijar. Gostava dos boatos que eles faziam sobre mim depois, mas nada além disso. Acredito na felicidade como o rato confia no gato. Anderson não me ligaria nem tão cedo, ele odiava quando fazia aquilo com ele. Tomei banho, procurei algumas roupas nas malas abertas pela casa e fui para faculdade. Apenas estava de férias do trabalho. Não vou contar como foi às aulas, nada de anormal nelas. Enquanto andava para entrar no carro, vi um folheto: “Única apresentação do grupo Souulé”. Era perto da faculdade, e decidi ir. Gosto de ir ao teatro quando estou estressada.

- Boa tarde, quanto custa o ingresso?
- 80, 00 reais, moça.
- E estudante? – eu sorri.
- Vocês querem meia entrada em tudo, não é? – seu rosto estava abaixado, quase me assusta quando aqueles olhos grandes e negros olharam pra mim – São 40,00.
- Pois é... Assim ainda sobra dinheiro para o crack. – tirei o dinheiro e o paguei.

Quando estava indo para a sala do teatro, uma mão me segurou. Com muita força.

- Sabia que você viria!
- Anderson! – mas uma coisa anotada para minhas aprendizagens da vida. Nunca diga ao homem tudo aquilo ou quase tudo aquilo que você gosta. Apenas conte o básico. Quando os homens querem surpreender demais, é por que querem nos surpreender em outras coisas. Não suporto surpresas.
- Por isso que te liguei.
- E qual é o sentido de me ligar e nem perguntar para onde eu iria?
- Quando você está de mau humor, gosta de ir aos teatros.
- Todo dia estou de mau humor.
- Então todo dia você vai ao teatro.

Entramos, assistimos e, por incrível que pareça, rimos durante toda apresentação. Ele segurou minha mão e sussurrou que sentira saudades de muitas coisas entre nós. Que apesar de todo o tempo afastado, minha coxa continuava a mesma. Ele alisou-a e riu. Retribui o riso e falei: Você continua com suas cantadas de crianças, ele riu e quando ele iria falar alguma coisa, meu celular vibrou. Era um torpedo.

“Meu celular ainda está carregado. Bruno”