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Vik







Um pouco da Vik:

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Segunda feira. Bom dia, vida. Nunca pensei que escreveria um diário. Já o escrevi tantas vezes e muitas vezes o rasguei. Não desejo ser entendida, criticada ou apoiada com determinadas situações que escreverei nessas folhas, apenas deixarei viva a minha vida corriqueira em palavras. Deixarei que viva eternamente em palavras. Na verdade estou meio incerta de onde devo começar. Começaria desde o meu entendimento de vida ou a partir de agora? Talvez seja melhor explorar um pouco o meu redor. As sensações, os diálogos e as percas que todo dia me tomam; tentarei descrever minha vida.
Sábado, 2 de fevereiro.
— Para onde você vai?
— Não reparou nas minhas malas?
— Responda! – minha mãe estava nervosa. Ela nunca suportou ser pega de surpresa.
— Vou para minha casa, mamãe - . Dei de ombros e fui embora. A maioria das malas já estavam no terraço. Apenas levava uma comigo.
O engraçado é que quando olho para alguns anos trás, lembro de uma conversa passageira que eu e ela tivemos. Falávamos de uma conhecida minha que teria fugido de casa e várias observações eu e ela tínhamos colocados em pauta naquela nossa sala clássica. Ela disse que se estivesse no lugar daquela mãe, a qual a filha estaria foragida, uma pisa boa e bem dada ela receberia quando voltasse para casa. Tentei explicar os motivos óbvios que levam os adolescentes fazerem isso, mas ela não entendeu. Disse que quando temos uma moradia, alimentação e cuidado dos pais não é preciso fugir.
Ela ficou calada. A olhei e sorri. Um sorriso breve – apenas com os lábios.
Entrei no carro – presente do meu pai aos 18 anos – e uma pequena macha ré daria inicio há um pouco da liberdade. Sentiria saudades de algumas coisas, claro, como o pouco dinheiro para pagar as contas, a tv fechada e um pouco da presença da minha mãe. Apesar de tudo gostava dela, apenas gostava. Admiro muito o respeito e sua definição.
- Droga! - exclamei ao ver ele. De todas as despedidas a que mais dói é aquela da qual você não aproveitou a estadia. Falo... Bem, falo de não ter aproveitado o bastante e agora dizer apenas um adeus.
- Faculdade? – ele riu.
- Não... – apesar de prolongar esta palavra fui ao ponto – Vou para minha casa.
- Oras, pensei que você morasse aqui... Ah não! Para onde você vai? – ele parecia surpreso.
- Ela fez a mesma pergunta – desviei o olhar.
- Não dirá pra mim?
- Deixe o seu celular carregado, Bruno. Tenho que ir.
Fechei as janelas do carro e fui embora. Carro pesado. Uma mente leve e meus mentores da vida encaixotados no porta-malas – meus livros. Ah, meus bons livros.
Diário, meu nome é Viktória. Vik.





Comentários

  1. Escreve muito bem! me fez ver cada detalhe da cena como se eu estivesse vendo um filme ou uma dessas séries intelectuais.
    Se continuar nesse ritmo, pode ir longe.. XD

    beijão! Adorei a história! esperando por mais capitulos!

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  2. Bonito blog, bom texto, mas eu não gosto de ler pedaços de histórias.
    abraços.
    http://batbugigangas.blogspot.com/

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  3. Já disse várias vezes o quanto tu escreve mais, mas este foi diferente de todos os outros. Voltarei para conferir mais vezes! *-*

    kiss

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  4. Bem primeiramente, amei o nome do blog devido ser o mesmo nome do meu grupo de tcc da facu...esto anciosa p saber o desfecho dessa nova etapa da vida de Vik.bjs

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  5. Eu gostei bastante! E vi-me nesse primeiro parágrafo: também eu já quis escrever um diário e também me debati com esses pensamentos. Cá espero os próximos textos. :)
    Beijo *

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  6. estou a te seguir
    gostei muito do Blog
    e muito mesmo desse texto
    bem legal
    beijos

    http://rgqueen.blogspot.com/

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  7. Tema pertinente, perspectiva adequada... acompanharei a jornada da Vik como vívido interesse.

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  8. Curiosa...
    Existem tantos motivos que nos levam a abandonar nosso lar...
    Espero a continuação...

    Bjs

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  9. Ei, estou doida pra ver a continuação! rs

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  10. Que saudade estava eu dessas suas palavras moça, e preciso dizer que a sua volta fora triunfal com o belo início desse conto.
    Percebi que a Vik será uma personagem interessante, com seus traços de rebeldia educada, com essa coragem de abrir as asas e fazer um vôo solo. Aguardo aqui cheia de expectativas pela continuação.

    Beijo grande.

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  11. a vida sendo escrita a cada minuto...sempre haverá continuações...esperamos...

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Ansiosa para as próximas leituras *-*
    Arih e seus textos com cheiro, sabor e cor de "quero mais" =}
    Eu tinha um texto como esse, um "diario" também, esperando a boa vontade da minha criatividade para ser postado, mas com um tema bem diferente deste.

    Não suma e nos deixe aqui babando por atualizações, senhorita, ou qualquer dia desses você pode acordar sem os rins. Beijo =}

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  14. Bom que tu voltou moça, senti falta dos escritos..Curioso pelo próximo conto.

    Beijos. querida.

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  15. Tenho certeza que vou amar!!

    Já gostei do começo.. Vick me deixou com a pulga atrás da orelha. Ela ta indo pra casa dela? Que casa?

    Curiosaa!!


    BJuu =*

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  16. Adorei o começo deste conto, e fiquei super interessada em saber quem é o Bruno.
    Queria também parabenizá-la pelo blog e por tudo aqui, é maravilhoso: sua escrita, seus textos, simplesmente tudo.

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  17. Adorei o começo, peguei depois de um tempo né.. Mas vou ler o próximo amanhã.
    Muito bom c:
    De: Adolescente Para: Adolescente

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