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27 de março de 2011

Vik







Um pouco da Vik:

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Segunda feira. Bom dia, vida. Nunca pensei que escreveria um diário. Já o escrevi tantas vezes e muitas vezes o rasguei. Não desejo ser entendida, criticada ou apoiada com determinadas situações que escreverei nessas folhas, apenas deixarei viva a minha vida corriqueira em palavras. Deixarei que viva eternamente em palavras. Na verdade estou meio incerta de onde devo começar. Começaria desde o meu entendimento de vida ou a partir de agora? Talvez seja melhor explorar um pouco o meu redor. As sensações, os diálogos e as percas que todo dia me tomam; tentarei descrever minha vida.
Sábado, 2 de fevereiro.
— Para onde você vai?
— Não reparou nas minhas malas?
— Responda! – minha mãe estava nervosa. Ela nunca suportou ser pega de surpresa.
— Vou para minha casa, mamãe - . Dei de ombros e fui embora. A maioria das malas já estavam no terraço. Apenas levava uma comigo.
O engraçado é que quando olho para alguns anos trás, lembro de uma conversa passageira que eu e ela tivemos. Falávamos de uma conhecida minha que teria fugido de casa e várias observações eu e ela tínhamos colocados em pauta naquela nossa sala clássica. Ela disse que se estivesse no lugar daquela mãe, a qual a filha estaria foragida, uma pisa boa e bem dada ela receberia quando voltasse para casa. Tentei explicar os motivos óbvios que levam os adolescentes fazerem isso, mas ela não entendeu. Disse que quando temos uma moradia, alimentação e cuidado dos pais não é preciso fugir.
Ela ficou calada. A olhei e sorri. Um sorriso breve – apenas com os lábios.
Entrei no carro – presente do meu pai aos 18 anos – e uma pequena macha ré daria inicio há um pouco da liberdade. Sentiria saudades de algumas coisas, claro, como o pouco dinheiro para pagar as contas, a tv fechada e um pouco da presença da minha mãe. Apesar de tudo gostava dela, apenas gostava. Admiro muito o respeito e sua definição.
- Droga! - exclamei ao ver ele. De todas as despedidas a que mais dói é aquela da qual você não aproveitou a estadia. Falo... Bem, falo de não ter aproveitado o bastante e agora dizer apenas um adeus.
- Faculdade? – ele riu.
- Não... – apesar de prolongar esta palavra fui ao ponto – Vou para minha casa.
- Oras, pensei que você morasse aqui... Ah não! Para onde você vai? – ele parecia surpreso.
- Ela fez a mesma pergunta – desviei o olhar.
- Não dirá pra mim?
- Deixe o seu celular carregado, Bruno. Tenho que ir.
Fechei as janelas do carro e fui embora. Carro pesado. Uma mente leve e meus mentores da vida encaixotados no porta-malas – meus livros. Ah, meus bons livros.
Diário, meu nome é Viktória. Vik.