
Era finalzinho de tarde e o mar ia cobrindo o brilho do sol. As pegadas na areia mostravam a grande multidão que ali teriam passado, mas uma pegada em especial chamou atenção daquele rapaz. Eram mais recentes e ele viu de quem seria. Uma moça. Seu corpo era belo e os cabelos estavam soltos – bastante raivosos com a maresia – e novamente seu corpo era belo. A pele morena ganhava vida com aquela sua veste, um vestido amarelo bem chamativo que brilhava sobre ela. Seus passos eram pequenos e aquele olhar focado ao longe inquietava o rapaz. Seus sussurros se resumiam na interrogação: Quem seria àquela morena?. Cabelos encaracolados, tinha olhos grandes, mais negros que o escuro da noite. A curiosidade se formou numa perseguição desastrada, o homem não se aquietou e tomou a persegui-la. Num súbito, a desconhecida percebeu a investida do rapaz e correu, com todas as suas forças, sem rumo naquele paraíso na terra.
A areia dificultou um pouco, mas corria com vontade e ele a caçou, não pensava mais o porquê, mas a queria. As pegadas foram misturadas e, naquele momento, um pode sentir algo do outro: as pegadas – um tropeço e a defesa da morena desmoronaram. Ele agarrou-a com força pelos braços e gritos abafados a morena deu - tinha medo e pavor. Insistiu para que não tivesse medo, apenas tinha curiosidade, e mesmo assim não adiantou. Os olhos antes bonitos eram agora retratos de uma áurea medrosa. Ele tocou em seu rosto e pôde sentir aquela pele macia da cor do pecado e aqueles cabelos tão sedosos quanto uma pétala do campo, logo uma lágrima. As ondas balançavam, iam e vinham sem educação. Seus pés estavam lançados à beira mar e as águas lhe tocavam, minimamente, as pontas dos dedos.
O que ele queria com ela? Além da beleza a ser admirada nada mais tinha a oferecê-lo. A morena suplicou, disse que nunca tinha conhecido um homem e não tinha mais dinheiro, havia gastado tudo numa água de coco. Disse que não chamaria a polícia caso fosse embora, apenas queria novamente a liberdade roubada há pouco. Ele disse que não. Ela perguntou assustada o que ele queria e um silêncio foi a resposta. A raiva o subiu e berrou dizendo que nunca tinha conhecido uma mulher e que não tinha mais dinheiro por que perdera um emprego, queria uma recompensa por ainda estar vivo e a viu a andar naquela tarde maravilhosa. Uma resposta divina as suas súplicas. Suas mãos apertaram com força os braços morenos e um descontrole desconhecido subiu aquele rapaz.
Primeiro foram os lábios a se encontrar, a vontade que não havia da parte da morena, havia de inexperiência nele. As lágrimas escorriam por aquele beijo. Não sabia se entregar com a facilidade que tinha visto nas novelas e dos pequenos trechos que já tinha lido dos livros, mas a morena não ajudava. Seus olhos estavam atônicos e olhavam aquele céu sem nuvens, não era mais medo, era um corpo sem forças para se defender. Ele queria a beleza da morena, a beleza estava se perdendo. Suplicou para tê-la de novo, pediu para que ela o amasse. Não adiantou. O sol foi embora. E, na beira mar, deixou aquela mulher de bruços na areia, sim, agora era mulher, e nas suas costas havia um sinal. Como ele não tinha o notado antes? Era belo.
Esqueceu-se da beleza antes admirada, agora era o sinal. Uma graça divina, Meu Deus. Tocou-o com carinho e notou lágrimas no rosto da morena. Pediu para que não chorasse, afinal, ela era uma benção vinda do mar para ele. Toque. Admiração. Logo uma entrega. Entregou ao mar o que era dele. Afinal, a mulher tinha beleza de uma sereia. Um aceno sem saudade foi se perdendo, naquele que não era mais, um finalzinho de tarde qualquer.
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Li duas vezes o seu conto e embora as cenas sejam bem descritas, me incomoda um pouco essa questão de força do homem, fraqueza da mulher. O que não conhece o outro.
ResponderExcluirFico procurando alguma coisa para deter tal atitude.
E confesso ter me confundido no texto um pouco, mas acredito que se deve a minha resistência aos argumentos do mesmo.
bacio
Cenários do cotidiano de duas almas que tentam se encontrar...belo texto,,,grande beijo de bom dia pra ti amiga.
ResponderExcluirE após tanto tempo aqui vim de novo. Ler as linhas e mergulhar lentamente nas palavras tão bem descritas. E tão lindo este sentimento aqui, na minha opinião, um dos mais ricos! Um grande beijo *
ResponderExcluirUm mimo, bela volta, adorei este texto carregadinho de boas oportunidades para pensar, refletir sobre vida, é mto bom tê-la de volta e abastecer-se de uma ótima leitura, pra vc bjos, bjos e bjosssssssssssss
ResponderExcluir@Lunna
ResponderExcluirEntendo, Lunna. É apenas um cotidiano de duas pessoas. Infelizmente, isso pode estar acontecendo agora entre duas pessoas e não tá sendo na praia. ):
@wcastanheira
ResponderExcluirObrigada, adoro suas visitas. <3
Fazia tempo que não lia algo tão intenso, cheio de sentimentos e ansiedades. Muito boa a expressividade e o contraste entre as personagens1 ^^
ResponderExcluirDesde ontem estou lendo teus contos, mas esse eu preciso comentar. Como já disseram nos comentários, essa força do homem incomoda-me também. Entre todos os seus textos que li aqui, e foram vários, esse foi o que mais gostei.
ResponderExcluirBeijos!