}

20 de dezembro de 2011

Aquele sinal.

Tumblr_lw6992osn71qcyulno1_500_large

Era finalzinho de tarde e o mar ia cobrindo o brilho do sol. As pegadas na areia mostravam a grande multidão que ali teriam passado, mas uma pegada em especial chamou atenção daquele rapaz. Eram mais recentes e ele viu de quem seria. Uma moça. Seu corpo era belo e os cabelos estavam soltos – bastante raivosos com  a maresia – e novamente seu corpo era belo. A pele morena ganhava vida com aquela sua veste, um vestido amarelo bem chamativo que brilhava sobre ela. Seus passos eram pequenos e aquele olhar focado ao longe inquietava o rapaz. Seus sussurros se resumiam na interrogação: Quem seria àquela morena?. Cabelos encaracolados, tinha olhos grandes, mais negros que o escuro da noite. A curiosidade se formou numa perseguição desastrada, o homem não se aquietou e tomou a persegui-la. Num súbito, a desconhecida percebeu a investida do rapaz e correu, com todas as suas forças, sem rumo naquele paraíso na terra. 

A areia dificultou um pouco, mas corria com vontade e ele a caçou, não pensava mais o porquê, mas a queria. As pegadas foram misturadas e, naquele momento, um pode sentir algo do outro: as pegadas – um tropeço e a defesa da morena desmoronaram. Ele agarrou-a com força pelos braços e gritos abafados a morena deu - tinha medo e pavor. Insistiu para que não tivesse medo, apenas tinha curiosidade, e mesmo assim não adiantou. Os olhos antes bonitos eram agora retratos de uma áurea medrosa. Ele tocou em seu rosto e pôde sentir aquela pele macia da cor do pecado e aqueles cabelos tão sedosos quanto uma pétala do campo, logo uma lágrima. As ondas balançavam, iam e vinham sem educação. Seus pés estavam lançados à beira mar e as águas lhe tocavam, minimamente, as pontas dos dedos. 


O que ele queria com ela? Além da beleza a ser admirada nada mais tinha a oferecê-lo. A morena suplicou, disse que nunca tinha conhecido um homem e não tinha mais dinheiro, havia gastado tudo numa água de coco. Disse que não chamaria a polícia caso fosse embora, apenas queria novamente a liberdade roubada há pouco. Ele disse que não. Ela perguntou assustada o que ele queria e um silêncio foi a resposta. A raiva o subiu e berrou dizendo que nunca tinha conhecido uma mulher e que não tinha mais dinheiro por que perdera um emprego, queria uma recompensa por ainda estar vivo e a viu a andar naquela tarde maravilhosa. Uma resposta divina as suas súplicas. Suas mãos apertaram com força os braços morenos e um descontrole desconhecido subiu aquele rapaz. 

Primeiro foram os lábios a se encontrar, a vontade que não havia da parte da morena, havia de inexperiência nele. As lágrimas escorriam por aquele beijo. Não sabia se entregar com a facilidade que tinha visto nas novelas e dos pequenos trechos que já tinha lido dos livros, mas a morena não ajudava. Seus olhos estavam atônicos e olhavam aquele céu sem nuvens, não era mais medo, era um corpo sem forças para se defender. Ele queria a beleza da morena, a beleza estava se perdendo. Suplicou para tê-la de novo, pediu para que ela o amasse. Não adiantou. O sol foi embora. E, na beira mar, deixou aquela mulher de bruços na areia, sim, agora era mulher, e nas suas costas havia um sinal. Como ele não tinha o notado antes? Era belo.

Esqueceu-se da beleza antes admirada, agora era o sinal. Uma graça divina, Meu Deus. Tocou-o com carinho e notou lágrimas no rosto da morena. Pediu para que não chorasse, afinal, ela era uma benção vinda do mar para ele. Toque. Admiração. Logo uma entrega. Entregou ao mar o que era dele. Afinal, a mulher tinha beleza de uma sereia. Um aceno sem saudade foi se perdendo, naquele que não era mais, um finalzinho de tarde qualquer. 


Curta o blog no Facebook:  Página do Epiffania