Era tão gostoso de sentir a inocência ao te ver. Encolhia os olhos só para imaginar um cenário de nós dois – não tinha beijo, mas a sensação do carinho mútuo era intensa. Sonhava peripécias fantasiosas e, com nossas mãos dadas, não existia o mundo – sinto saudade do sorriso perto do meu ouvido, ele dizia coisas bonitas. Celular a gente não tinha, mas pedacinhos de papel ainda estão aguardados lá na minha caixa do passado. Cada frase eterna e promessas que prometemos não quebrar ainda estão guardadas à espera da sua imortalidade. Sinto falta do seu aconchego e daquela margarida de beira de estrada que você me dava. Devia ter guardado ao menos uma só. Ainda me lembro das corridas e afobações que eu passava apenas pra te ver do outro lado da rua, tínhamos pressa e um tchau era o suficiente – passava a tarde inteira relembrando a cena. Venha cá, vamos relembrar os momentos bonitos que desenhamos juntos e tentar eternizar as palavras ditas com tanta inocência daqueles dias. Vamos esquecer os problemas – por um segundo – e tentar pensar apenas na gente e naquele sentimento que dividimos com tanta alegria. A gente não chamava de amor e há pessoas que chamam do primeiro amor, vou acreditar nisso, mas só por que eu passei nos sintomas de coração apaixonado: Mãos suadas, barriga gelada, pés trêmulos e palavras perdidas. Tudo isso foi misturado e deu no pensamento você. A resposta não é mais amor e sim nossos nomes desenhados naquela velha árvore do parque da escola. Gostoso era sentir a inocência ao te ver.
Algumas pessoas precisam pular de paraquedas para sentirem a adrenalina surtir efeito dentro de si, comigo, as coisas são diferentes. Comigo, a cada linha que escrevo até chegar ao seu ponto final, é uma sensação de suspense mais adrenalina para saber como irá terminar aquele período. Preciso estar em contato direto com o personagem ou comigo mesmo para saber lidar com aquilo que estou escrevendo. Tem dias que chego ao céu, tem dias que chego ao inferno. A gente nunca sabe qual será o nosso destino. Escrever pra mim é além de encontro consigo mesmo, é uma maneira sensível de conectar-se com alma. Transmitir o que ela é e o que ela sente. O desconhecido que pode se tornar perigoso. Escrever pra mim também é uma aventura, apego, saudade, amor, compaixão, raiva. Não é apenas alívio, às vezes sinto aflição - poucos sabem, mas escrever é um risco de morte que poucos tem a coragem de enfrentar. A escrita também pode ser bipolar: uns dias pode ser amor, outros dias pode ser apenas dor. P...
Que lindo, Arih. *-*
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