
O que me dói mais é a espera. Ainda espero algo surpreendente, um renovo, uma conquista, um sorriso. Mas, eles já se perderam há muito tempo, eu só perdi a passagem. Eu fui te perdendo e não conseguia ver isso. Vou fechar meus olhos e deixar a noite chegar, ainda há tempo, ainda posso te escrever uma carta e te enviar. Será uma carta de lembranças, de choros – mas você não vai ver minhas lágrimas -, e de grande emoção. Vou colocar também nossa foto e a data riscada, não precisamos lembrar-nos das datas, não é? Elas nunca foram importantes. Apenas mais sofrimentos. Ainda acredito que nossas vidas opostas possam se encontrar mais uma vez, mas não que os opostos se atraem. Procuro papel. Procuro lápis. Procuro envelope. “Não acha isso bobo, é um presente. E de presente não reclama”.
E a mente tenta lembrar de tudo que nos aconteceu. O relógio não é nosso amigo e me apresso a te escrever. “Com amor, sua”. Não, não. Eu sou dele, mas ele não é meu. Me vejo dele, apenas dele, mas ele é apenas ele. Por favor, coração, não me faz chorar. Vou colocar essa carta em sua porta e correr, serei como uma garota no seu primeiro amor. Nessa história não existe dois personagens, agora é só o figurante, o principal não existe mais. Fecho a porta tendo em mente que, de alguma forma, eu sabia que aquele Natal seria diferente. Vou sair da minha casa – do meu refúgio – para te presentear. Que medo é esse, menina? É só colocar na porta e correr. Ainda sou fraca, ainda dói, meus olhos plantados em lágrimas revelam isso. Visitas, amigos, familiares, que nem conheciam, tentam me socorrer. Aqui estou, ajoelhada – rendida – ainda na minha caverna sem coragem pra te ver. Alguns perguntam o que poderia ter acontecido, outros já sabem e dizem que é o amor não retribuído. Mas, o mais importante é que eles sabem que não podem mudar aquele meu natal. Tem que me deixar ali, tirar as raízes e plantar outra videira.
- Vem cá... Me dá teu abraço. Seu sorriso é o meu presente, menina. – Reconheço sua voz, seu aconchego comigo. Na verdade, não quero acreditar, mas daí ele me toca e sinto todo meu corpo estremecer. “Me abraça”. E ele responde meu pensamento.
- Toma... Esse é o meu presente de natal. Abre, mas abre com cuidado, coisa frágil se quebra ligeiro. – E entrego aquele envelope amaçado pelo abraço.
- Uma carta?
- O que importa é o que está escrito nela. Não são meras palavras, são pequenos pedaços do nosso passado, dos nossos momentos felizes. Ignore as palavras borradas, é que elas representam algo mais forte e quero que você sinta isso. Você está aqui. E eu iria até você. Nos encontramos de novo, agora não vou mais fugir, vou enfrentar tudo de frente e me agarrar na oportunidade de um novo amor, de uma nova amizade, de uma nova esperança...
- Um novo recomeço.
Sim, lá dentro eu sabia, que de alguma forma, aquele natal seria diferente dos outros natais.
_
Projeto Bloínquês.
Que lindo, Arih! *-*
ResponderExcluirVou te falar a verdade, eu gostei muito de tudo, mas o diálogo não precisava. O sentimento já estava exposto demais. Mas é como você fala, é um desabafo seu e conto. Nunca sabemos se aconteceu mesmo ou não. Muito mágico. Adorei também seu conto anterior, "Aquele Sinal" Incrível. Minha Clarice Lispector. sz
Gostei do seu conto, da sua forma de escrever, com sentimentos, sem ser piegas, e profunda ao mesmo tempo. Parabéns pela qualidade do blog.
ResponderExcluirwww.heitor-falcao.com
Gosto das inspirações de outras pessoas, encorajo a escrita!
ResponderExcluirhttp://alteregodonuti.blogspot.com/
O Amor deveria ser algo que só poderia existir se fosse mútuo, mas assim ele não o é!... e daí surgi o sofrer daqueles que não tem seus sentimentos respondidos a altura! O texto terminou com esperança de um recomeço, porém poderia ser apenas a prorrogação de um sofrimento!
ResponderExcluirParabéns pelo conto e pelo Blog!!!
---
olivroazuldemondragon.blogspot.com
Nhooooooow *-*
ResponderExcluirNatal por incrivel que pareça é uma época mágica, que nos traz inspiração e nos faz pensar. Me traz esperança para novos sonhos. Pelo menos comigo é assim!
Que perfeito :D
ResponderExcluirAdorei "-Vem cá... Me dá teu abraço. Seu sorriso é o meu presente, menina"
Lindo Blog, estou seguindo diva.
Segue meu cantinho se gostar também?
papeldeumlivro.blogspot.com
Um perfeito Natal, beeijão :*
O importante e lembrar que no final ha um proposito em cada circunstancia.
ResponderExcluirLinda, adorei o blog e vou seguir tbm. beijos e feliz natal *--*
Que lindo texto!!! Tá perfeito.
ResponderExcluirBjin*
Olá
ResponderExcluirCriei um blog hoje, 24/12, e passeando pela blogosfera encontrei teu blog, adorei tudo por aqui, por isso sigo-te se puder visite-me serás bem recebida
beijos
Erica
Arianne Carla...
ResponderExcluirFeliz Natal...
E no Ano Novo,
Que todo o tempo,
Consigas o Renovo
Muita Saúde,Alegria,
Sabedoria,
E o AMOR,
Não apenas passional,
Mas,sempre,
E de toda gente,
E quando acontecer a dor,
Que seja apenas circunstancial,
Pois tu és vocacionada,
Apenas para a aurora boreal
Para a tua estrada,
Todas as luzes e cores,
E do AMOR,todos os sabores...
E sobretudo,
muita Paz Espiritual...
E quando for o caso,
Não se permita o ocaso,
e apesar de todos e de tudo,
Faça do seu estar no mundo,
Um sempre contente,
com essa tua alegria simples,
mas,
COMOVENTE,
INCANDESCENTE
E GENUÍNA,
COMO A TUA LUZ,
MENINA..
BEIJOSSS...DE ALCAÇUZ,
EM TU E...
EM TUA SINA.
Daniel Barthes.
Oiii
ResponderExcluirTava com saudades de tii...
TE desejo um feliz natal! Tudo de bom pra vc!
Adorei a postagem! Gosto de te ler..
hehe'
bjoo