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23 de dezembro de 2011

Um novo recomeço.

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“Não tenho mais pressa, vamos acreditar nos nossos sonhos, e veremos o que nos espera no outro dia”. Foram suas palavras ao fim da nossa primeira briga. Não foi tão consolador, lembrando delas agora, mas senti aquela fisgada de felicidade quando as ouvi. Vamos, quero que você pegue novamente minha mão e diga palavras bonitas, sorrisos sinceros e façamos aquelas trocas de olhares – elas sempre me deixam vermelha, com vergonha. Mas quando acordo e não vejo nenhum sinal seu, é estranho. Me dói, mas não é tudo isso, é não sentir mais o cheiro, é isso que me atormenta. Não há nada que eu possa segurar e dizer bem baixinho: vou te aproximar do meu coração.  As fotos não servem mais, afinal, foi um passado de um casal feliz. Eu conseguia  aquele seu sorriso doce, pois é, eu conseguia. Vou me jogar na cama – me jogo como criança – e sinto em meu corpo suas mãos a me fazerem cócegas. Queria ficar nessa sensação todo o dia, mas eu acordo e isso machuca lá dentro. 

O que me dói mais é a espera. Ainda espero algo surpreendente, um renovo, uma conquista, um sorriso. Mas, eles já se perderam há muito tempo, eu só perdi a passagem. Eu fui te perdendo e não conseguia ver isso. Vou fechar meus olhos e deixar a noite chegar, ainda há tempo, ainda posso te escrever uma carta e te enviar. Será uma carta de lembranças, de choros – mas você não vai ver minhas lágrimas -, e de grande emoção. Vou colocar também nossa foto e a data riscada, não precisamos lembrar-nos das datas, não é? Elas nunca foram importantes. Apenas mais sofrimentos. Ainda acredito que nossas vidas opostas possam se encontrar mais uma vez, mas não que os opostos se atraem. Procuro papel. Procuro lápis. Procuro envelope. “Não acha isso bobo, é um presente. E de presente não reclama”. 


E a mente tenta lembrar de tudo que nos aconteceu. O relógio não é nosso amigo e me apresso a te escrever. “Com amor, sua”. Não, não. Eu sou dele, mas ele não é meu. Me vejo dele, apenas dele, mas ele é apenas ele. Por favor, coração, não me faz chorar. Vou colocar essa carta em sua porta e correr, serei como uma garota no seu primeiro amor. Nessa história não existe dois personagens, agora é só o figurante, o principal não existe mais. Fecho a porta tendo em mente que, de alguma forma, eu sabia que aquele Natal seria diferente. Vou sair da minha casa – do meu refúgio – para te presentear. Que medo é esse, menina? É só colocar na porta e correr. Ainda sou fraca, ainda dói, meus olhos plantados em lágrimas revelam isso. Visitas, amigos, familiares, que nem conheciam, tentam me socorrer. Aqui estou, ajoelhada – rendida – ainda na minha caverna sem coragem pra te ver. Alguns perguntam o que poderia ter acontecido, outros já sabem e dizem que é o amor não retribuído. Mas, o mais importante é que eles sabem que não podem mudar aquele meu natal. Tem que me deixar ali, tirar as raízes e plantar outra videira.

- Vem cá... Me dá teu abraço. Seu sorriso é o meu presente, menina. – Reconheço sua voz, seu aconchego comigo. Na verdade, não quero acreditar, mas daí ele me toca e sinto todo meu corpo estremecer. “Me abraça”. E ele responde meu pensamento.
- Toma... Esse é o meu presente de natal. Abre, mas abre com cuidado, coisa frágil se quebra ligeiro. – E entrego aquele envelope amaçado pelo abraço.
- Uma carta?
- O que importa é o que está escrito nela. Não são meras palavras, são pequenos pedaços do nosso passado, dos nossos momentos felizes. Ignore as palavras borradas, é que elas representam algo mais forte e quero que você sinta isso. Você está aqui. E eu iria até você. Nos encontramos de novo, agora não vou mais fugir, vou enfrentar tudo de frente e me agarrar na oportunidade de um novo amor, de uma nova amizade, de uma nova esperança...

- Um novo recomeço.
Sim, lá dentro eu sabia, que de alguma forma, aquele natal seria diferente dos outros natais. 

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Projeto Bloínquês.