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4 de julho de 2013

A garota da balada


Tenho pouco tempo para escrever tudo aquilo que eu vi hoje. Estou dentro de um banheiro de uma balada qualquer. Baladas dessas madrugadas que acabam acontecendo quando você está com os amigos e decidem extravasar. Ok. Tenho que dizer que ela é de estatura baixa, cabelos curtos e negros, olhos moldados por um traço marcante, lábios, exageradamente, lindos. Ester. Este é o nome fictício que inventei para ela e que agora não sai da minha cabeça. Ester dança como uma profissional de stripptease, mas que ainda consegue ter a proeza de um gingado de menina. A via em câmera lenta e os jogos de luzes a transformavam uma estrela de sucesso no palco - Ester branca, Ester bonita.

Tinha conseguido chegar perto dela, cheguei dançando no ritmo do barulho e conseguindo conquistar seus olhos sobre mim. E, por eternos cinco segundos, nos olhamos como um caçador olha sua presa e sabe em qual momento deve atacar. Eu estava sendo a sua presa, ela estava me atacando. Ester ria através de cada movimento, olhares, passos. Jogava seus braços para o alto e não se prendia com a vergonha de dançar feio, ela não dançava feio, mas dançava como bem entendia e queria. Me senti preso mesmo não tendo algemas. Dancei com ela na intenção de beijá-la quando a música chegasse ao seu ápice. Ela fixou seus olhos verdes aos meus e riu. Ester não teria me dito que era uma garota de balada e que usava aquela energia para extrair toda sua tristeza.

O problema é que pensei num futuro meio torto para nós, mesmo não sabendo o seu nome completo, quanto calçava, sua comida preferida. Ester tem aquele jeito de mulher que a gente gosta de primeira, mas que a reciprocidade poderia ser nula. Mas a gente ainda quer correr o risco, porque o risco aparenta valer a pena e a decepção se torna mínima tendo apenas uns segundos de conquista.

Corri para o banheiro para escrever tudo isso e voltar lá para conseguir um beijo dessa menina que ainda não sei o nome e que, provavelmente, já não vai estar mais no mesmo lugar.

1º texto do projeto "15 semanas de insônia".






Eu e o Matheus Carneirismo estamos com esse projeto de escrever  todas as quintas-feiras. O tema é madrugada! Digamos assim: textos durante a madrugada/durante a insônia, textos sobre a insônia e assim vai. Esse texto foi escrito durante uma insônia minha e terminei de escrevê-lo hoje de tarde. É um pouco diferente do que eu posto por aqui, mas para um blog que tem contos de serial-killers, esse não é nada de mais. hahah Espero que tenham gostado e me sigam no twitter, sempre estou por lá comentando sobre os novos textos e falando besteira. (@ariannebarromeu)