11 de julho de 2013

O quanto é bom amar devagarzinho

Hoje abri a janela com um sorriso no rosto. Você estava deitado em minha cama com um ar de satisfeito-preguiçoso-cafajeste-na falta de um abraço. Eu estava naqueles dias em que tudo é sorriso, tudo é motivo de relembrar os bons momentos do passado e o melhor momento para planejar o futuro. Sentia uma energia tão vibrante dentro de mim que desejava explodir e acender todo o nosso quarto. Misturar a minha energia com a sua. Uma sensação de encaixe. Como se agora eu pudesse ver a figura secreta do quebra-cabeça. Alisei o seu rosto. É engraçado nos questionarmos nessas horas o porquê da demora de encontrar quem nos faz tão bem. Considero essa felicidade como a linha de chegada. Aquela mesma sensação de ter ganho algo que você lutou por tanto tempo e que agora finalmente você pode gritar para todo mundo ouvir o quanto está orgulhoso de si mesmo. O quanto a espera é importante para alcançar algo. Solucionar uma equação perdida entre tantos cálculos, transformar em vírgula aquele ponto deslocado. Você e eu. 



Agora te olho com tanto cuidado. Parece que meus olhos podem transmitir alguma onda eletromagnética e te acordar aos prantos. Não acorda, você é tão bonito enquanto dorme. Tenho a sensação de estar cercada de carinho, proteção e amor transbordante. Transbordando sem parar e sem prévia para o fim. Não fica rindo quando eu disser que ainda não sei dar as respostas certas para todas essas perguntas. Perguntas que imploram por respostas amáveis e sinceras. Olho no olho e um tudo ou nada. Tudo é tão mais simples quando apenas te olho e fico confusa nos meus pensamentos por não saber o que pensar ou que dizer. Mas é necessário dizer algo agora? Tudo parece responder tão por si. São nessas horas que devemos parar, olhar em volta e sentir. É entre o seu abraço que tenho a resposta: daquilo que tenho certeza e daquilo que quero enfrentar.  

 Por que todos esses pensamentos apenas ao te ver deitado na cama? É porque quando você se levanta mais cedo e  deixa um bilhete dizendo que me ama, para não esquecer de colocar a chave no segredo e que meus olhos são mais bonitos sem sombras pesadas durante o dia. Quando assistimos filmes juntos e dormimos na metade sem nos importar. Mas agora eu lembro. É também quando você me olha nos olhos e me faz sentir único. Ao deixar minha mente bagunçada e não me importar pelo café ter esfriado. Pela sensação tão clichê, detalhada por tantos, que o amor nos faz de bobo e a gente gosta. A gente gosta de sentir que tem um ao outro e que não tem hora para amar - uma coisa tão livre que se detalhar complica. Te amo porque te amo e não precisa de condições. Te amando sempre mais um pouquinho. Porque amar e ser amado é como um pote de ouro em meio aos ladrões. Você vai acordando aos poucos e me indicando o quanto é bom amar devagarzinho. 

Vai amando, amando, amando. É como um barquinho feito de papel e jogado num rio agitado. Eu poderia ter afundado, mas você me arrastou em sua ventania e me levou a beira mar. Aqui é amor bem misturado com paz. O amor é o sal da paz - sempre no ponto. Você acordou, vou te fazer um café.

2º texto do projeto "15 semanas de insônia".




Ela

Ela
Olá, me chamo Arianne Morais e faço Letras na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Criei o blog Eppifania no final de 2010 com a intenção de compartilhar meus textos pessoais. Antes, eu adotava o pseudônimo "Arianne Barromeu", mas em 2017 isso mudou. Além de postar contos e algumas crônicas, o blog também conta com resenhas e indicações de livros.

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