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20 de dezembro de 2010

Confessionário



  – Sabe, eu nunca fui de acreditar nessas coisas. – confessou a moça. – Mas já que experiências são formidáveis para mim, resolvi vim aqui. “Um conjunto de vozes – um coral – era ecoado ao fundo” – Mas então minha filha... Quais seriam os seus pecados para estes serem perdoados? – perguntou, finalmente, o padre. – De certo, que tudo o que eu contar aqui será mantido em extremo segredo, padre? – sua voz tinha um tanto de malícia, mas o padre não se deixou levar com as atitudes ‘levianas’ que a cristã estava se atribuindo. Situações como aquelas não aconteciam com frequência na pequena paróquia do Padre Simão. E ele, um padre experiente, com disciplinas exemplares do seu chamado para com o clero – tinha a extrema clareza que não poderia deixar-se aos desejos da carne. Um pequeno de luxuria. – De fato, filha, fatos esclarecidos aqui; aqui mesmo permanecerão. – respondeu humildemente. – Graças aos Santos – benzeu-se. – Escute-me bem, padre Simão. – desejou chamar a sua atenção.

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­- Quando eu era uma menina, costumava a dormir nas missas. Não gostava da falta de ação. E chegaram dizer-me que o céu era assim, aí, eu não aguentei... Não suportei a ideia de morar eternamente num lugar morgado – continuava, provavelmente, o padre tinha ficado espantado, aquilo era exatamente um pecado? Afinal ela era apenas uma criança com seus demeados sonhos infantis. – Filha, isto foi o seu passado, tenha... – foi interrompido – Bem, eu não aguentei e quis questionar o padre da época. Como tinha apenas 11 anos não soube me expressar adequadamente e fui logo o interrogando. O padre da época foi amável comigo, ele me falou que se existiam dois tipos de céu e eu tinha que escolher o qual se identificava comigo e pelo que eu demonstrava, desejava, entrar no céu contrário dos meus pais. – pausou, porém essa pausa fez-se inundar uma áurea negra naquele ambiente, a moça que em todo momento estava com seu rosto baixo e com uma expressão, aparentemente, neutra, levantou os sóbrios olhos e olhou para o nada e o padre que em todo o momento estava atento em analisar os fatos e segurar veemente o seu terço, a olhou entre as brechas minúsculas oferecidas pela madeira do confessionário; seus olhos revelaram o espanto a olhá-la tão especificamente.

 – Foi então, padre Simão, que ele me descreveu os dois céus. O Céu de Deus é paz e sem agito... – soltou um sorriso debochado. – E o Céu do inferno é turbulento, onde ficarão as pessoas que comentaram tudo que era ilícito ao Senhor. – o padre se encarregou de responder. – Esplêndido padre. – elogiou-o. – Lembra-se da pequena garota? Perguntou. – nada foi respondido. – Ela respondeu que queria o inferno, lembra? E o sabe o que o padre a respondeu? – a moça levantou-se e deu pequenos passos ao canto acomodado do padre; ele por nenhum momento se moveu. – Sabe, eu nunca fui de acreditar nessas coisas – repetiu – Mas naquele dia ele não me mostrou o pequeno passo para o inferno. “Mostrarei-te o pequeno passo para o inferno” relembrou de relance, vendo o padre como um caçador pegando sua presa – a pequena menina, ela, o presente eram suas presas naquele momento, mas em postos diferentes. Então o padre Simão começou se benzer.

Deus que é pai, Deus que é filho, Deus que é espírito santo...” – O vulto da arma branca foi mais rápido que o som da sua voz. – Amém - ela sussurrou em seu ouvido. 


Acho que essa música combina com o acabamento do conto.
Não levem este conto como uma critica ao catolicismo ou qualquer outro tipo de religião.