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21 de dezembro de 2010

Gargalhadas


Reluzente eram os sorrisos maduros que se alongavam naquela tarde. Paravam e novamente caiam na gargalhada. Eis o motivo da euforia contínua: amizade. O amor que não é amante.  A feição da fidelidade que leva a ternura um dos mais sublimes sentimentos da vida: o amor. Um abraço, um apoio e algumas lembranças acomodam o espaço preenchido pelo beijo carnal e a necessidade da posse para com outro indivíduo: o sexo. E tal qual eram os sorrisos que as três mulheres não se importavam ou desapercebia, alguns olhares desejosos da alegria. Eles mesmos quereriam pedi um pedacinho da felicidade com elas. A alegria tremenda era preenchida em três corações, em três amizades, digamos de passagem: inseparáveis? Na verdade se reencontravam, e agora, possivelmente, para jamais se separarem. Não teriam prometido assinado ou jurado a amizade eterna, elas acreditavam. E por acreditar, a possibilidade da palavra eterna era infinitivamente, absoluta. Seus cochichos eram desavergonhados e temiam que suas vergonhas fossem expostas ao público, dividiam os tesouros dos seus segredos e até seus medos para outra e esta, fazia semelhantemente para outra. E mesmo quando o desabafo era tranquilizador para uma, não se importava em receber o fardo da outra. Amigas. Amizade. Confiança. Suas experiências sexuais eram estudos para a outra, enquanto a possível experiente aprendia a ser um pouco mais vergonhosa na intimidade. E de novo cochichavam. E risos histéricos eram ofuscados por dedos graciosos das amigas. O reencontro. A saudade. A eternidade. Estavam ali e não desejavam mais sair. Suas energias eram invejadas para os inertes olhadores que se agraciavam para magnitude de suas alegrias. – Ah, o amor! - comentava uma, atrevo-me a dizer que seria uma graciosa mulata. – Ah, o sexo! – ofegava uma bela morena. – Ah, amizade – e todas caiam na gargalhada. – E o amor sem o sexo? – declarava uma. – É a amizade, mulher – e novamente desabrochavam na risada apreciadora.  Elas mesmas descobriram que a sutilidade da conversa já teria sido comentada. Apenas por um detalhe, por outro grupo de amigas. O comportamento sexual, o desapontamento com o amor e a solidão ameaçadora, eram assuntos predominantes entre elas. O grande triunfal ápice do prazer também era grande cogitação no meio das conversadas e, claro das gargalhadas. – Ah, mais quando formos velhas... – defendia a morena, enquanto a outra lamentava chegar um dia de não ter mais apetite sexual pelo esposo. – É, Sabrina, quando formos velhas. Ou você já ta querendo achar outras maneiras na sua idade? Em nossas idades atuais tudo tem que ser feito exatamente esplendoroso. Para que nunca esqueçamos. – confirmava com bravura a mulata. – Quando formos velhas? – em dúvida perguntava Sabrina, ela era loura. E novamente todas caíram na gargalhada. Uma moça da multidão atreveu-se a chegar perto do cantinho da amizade, e atirou-lhes palavras nulas e sem respostas das amigas, repetiu-lhe as palavras e novamente fora esquecida. Impaciente tornou-se. Mas retornou a si. E novamente proferiu: - É hora do seu remédio, vovó. E novamente todas caíram na gargalhada da tarde de domingo. 

Sem drama e nem morte. (risos)
Responderei os comentários anteriores hoje, desculpem a demora. Fico muito grata com todas as pessoas que leem meus textos e deixam suas críticas. Obrigada, pessoal. *-*