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10 de janeiro de 2011

Entrevistando uma assassina

(esse conto almeja um raciocínio de lógica do leitor, espero que compreendam).

Fechei minhas pálpebras – passos coordenados ouviam-se ao longe – o ranger da porta do antigo prédio fora aberto com violência. – Parada! – determinou um dos policias. – Você está presa em nome da justiça de Bukethisky, pelos crimes e assassinatos cometidos há mais de 55 vítimas em decorrer de dois anos. – ele pareceu dá uma pausa – Morrerás na prisão. – Olhos sem expressão para com olhos da resolução. Sorri para aquele policial, seus olhos pareciam correr dos meus, mas minha perseguição era insistente, provocadora e um pouco: ameaçadora. Meu órgão musculomembranoso desejou sentir sua pele ofuscante e suada a minha procura – algemas postas – que maldosa seria a vida. Meus dedos sentiram sua pele. Meu pé direito movimentou-se um pouco mais rápido que o esquerdo – a lâmpada queimou e suas tralhas caíram ao chão, algumas incomodaram os policiais.  – Desculpem-me, eles não gostam de convidados. – sorri.

– Você quer me matar? – interrogou o detetive. Minhas mãos estavam presas e o único male da nossa distância se apontaria àquela mesa entre nós. – Sim – asperamente respondi. Moldei suavemente a ponta da maliciosa língua aos meus lábios, olhos espertos e doentios procuravam através daquela máscara de coragem uma fraqueza. Meu corpo se fatigada pelo tédio que as perguntavas me traziam, sempre chegavam ao mesmo ponto. A intolerância de aceitar que escolhia meus brinquedos por diversão, era incabível para eles, constantemente retornavam a esta peripécia. Desejavam decifrar o teor do meu íntimo, desvendar minha consciência.
– Por quê? – insistia inconformado. Tantos por quês. Seria realmente necessário explicar algo que não teria mais volta? Desejariam extrair toda mentalidade encoberta possível de mim e depois cessar minha vida. Inegavelmente, isto não me assustara. Respondi-o como se tudo fosse uma guerra, uns morrem, outros matam e outros apenas destroem – ele ainda desejara descobrir minha qualificação, ele era realmente estressante, mas eu gostava daquilo – respondi-o secamente: - Apenas destroem – vi em seus olhos que quereria muito mais, quereria ouvir meus confessos sobre as mortes, vidas que tirei vidas que sacrifiquei. Questionou minha qualificação, proferiu em sílabas tônicas perfeitas que seria uma assassina e novamente repeti: - Apenas destroem.   Incrivelmente descobri que sua paciência lógica e sensata teria limites, conclui por um momento que não as teria, mas seria como pensei, um policial comum que conseguira uma serial killer incomum. “Ah, não sou uma serial killer... Meus concorrentes prosseguem de outros métodos...“ pensei. Presumia o melhor. Revia como filme a entrevista melancólica em minha mente, enquanto, prosseguia a minha reta final. – Prisão perpétua e breve sua sentença de morte. – pôs fim ao interrogatório. – Você irá morrer. – policiais levantavam-me para retirar-me da sala – O quê? – virou-se para mim enquanto saia – Você será minha última sobremesa. – Seus olhos se sobressaíram.
 Anunciaram minha chegada, deitei-me sobre um trono com vestes alvas como as nuvens. Senti olhos odiosos observarem minha partida. Foram relatadas ao público minhas artimanhas para sociedade, meu sorriso levantou indignações aos olhares. O relógio batera: 16h19, apenas um minuto para eternidade. Meus olhos já se infiltravam na morte, poucos segundos, eles procuravam os olhos dele. – Você irá morrer – sussurrei para ele. 16h20.
Desculpem-me, eles não gostam de convidados. – ela sorriu. – A lâmpada, o toque, seus pés...”

“Ela é muito habilidosa, creio que não tivera nenhum contato físico ao extremo com ela. Suas táticas de envenenamento são de gerações”
Olhou para suas mãos, viu perfurações anteriormente não notadas, olhou para o seu redor com olhos infiltrados pela morte; sentiu uma pontada. Expiramos.

Seu sussurro inquietante incomodou-o até a morte.