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12 de janeiro de 2011

The illusion of love ( A ilusão do amor)

(Convidaria-os para ouvir este vídeo enquanto apreciam a breve leitura)

“Por entre os sonhos meus sempre a cantar... Aquela voz dos breus a convidar. Será que o sonho então não tem mais fim?” Implorava-me a imaginar a realização dos nossos sonhos e concretização dos anseios do mais íntimo toque – queríamos criar um surreal encontro e mais desejado momento. Implorávamos um ao outro a sutileza de cada detalhe e no meio dos vocais sonoros perfeitos de uma peça – criaríamos o nosso deleite da paixão. Os encontros dos nossos olhos criaram a grande ilusão do nosso paraíso e imaginamos... Imaginamos o possível que não era possível naquele momento... O sol intimidado e escondido entre o mistério do imenso mar, dar-nos-ia a beleza do seu recanto e som das ondas indicar-nos-ia que não estaríamos sós na nossa timidez. Nossas vozes encontrar-se-iam e louvariam que nosso amor não seria imutável como o mar, ou chegaria à perfeição do crepúsculo solar, mas acreditaríamos que o pensamento nos levaria longe de toda cósmica celeste e criaríamos nosso ninho.

Veríamos os tecidos deslizarem sobre nós, trazendo a cor predileta do amor - maciez da cama lembrar-nos-ia a doçura da posse de entrega de ambos os corpos e ela encher-nos-ia de pigmentos inéditos da loucura e do prazer. Contemplaríamos o poder das luzes independentes e tão momentâneas das velas – ela nos encantaria com sua glória de fogo e se apagaria com o sopro do mar – mar este travesso que ousou tocar no tímido astro solar.
Criar-nos-ia o espetáculo perfeito da nossa noite, onde nos entregaria intensamente por uma sombra. Em nossos delírios, depararíamos com a lamparina com sua ilustre luz a nos guiar para uma ponta da verdade. Imaginamos, e sem vergonha nos despirmos uma para outro, percorremos a cena arquitetada, e lembraríamos dos nossos pensamentos do nosso deleite. Fecharíamos nossos olhos e procuraríamos aquilo que tanto desejamos – buscaríamos os corações de ambos e seriamos livre para deixá-lo transpassar seus pensamentos. Imaginaríamos, imaginamos, imagine. Encontraríamos em nosso quarto de bordel os pensamentos de uma perfeita dose de amor. Relembraríamos as cenas e acordaríamos em silêncio e resignados do caloroso vendaval. Vemos no impossível o possível, e ouviríamos o som mestral das ondas e o poder solene das velas. Por que criaríamos o além da nossa pecaminosa imaginação – criaríamos nossa noite a mais amada – mesmo que seus atraentes fossem imaginados por amados loucos.


Para o projeto Bloínquês.