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8 de janeiro de 2011

A névoa



A neblina revoltosa com seu resfriamento: ar quente e úmido, parecia vasculhar algo dentre a vila sem respostas. Amedrontada, a moça cujos cabelos eram mais negros que a asa da graúna e olhos mais claros que o verde do mar, percorria com cautela em volta para casa. Aquela fusão inquietante de misturas sensoriais se misturava com os involuntários arrepios percebidos pela sua alva pele. Seus passos se desapercebem na solidão com sua angústia de não ter nenhuma companhia. Infelizmente, apenas a luz dos seus olhos eram as lanternas constantes em sua caminhada. Nem nas janelas curiosas seu conforto estaria seguro. Seus lábios estavam preenchidos com uma forte com cor de sangue e destaca-ia um pouco mais à neblina e na neve maldosa. Pensou por um momento que seu destino seria o isolamento dentre as outras pessoas, um sentimento de mais extremo vazio em seu interior – seu íntimo demonstrava se corromper de medo e exaustão – queria sentir alguém, notar a presença de alguém mesmo sendo a mais obscura sensação que poderia sentir.
Não queria estar sozinha em seu retorno. Não escutou, mas sentiu um corpo quente e vivo aproximar-se. Seus olhos inquietos tentaram procurar sua companhia distinta, nada encontrara – ela sorriu – mesmo não sabendo o motivo. Uma fumaça indicava a quase chegada em segurança em seu lar, seus familiares estariam a sua espera e segurança – sorriu para eles – se embebedaram. O dia não demonstrava o seu início e nem seu final, era constantemente a mesma estação. Percorreu novamente o caminho propício e traiçoeiro que a levaria para o desconforto do trabalho e a desgraça da volta pra casa. Seus pés estariam mais inquietos e insatisfeitos com o cobertor; suas mãos se acasalavam a forma de uma concha e seus cabelos revoltados tentavam lutar com a forte neve sendo guiados pela neblina e a força do vento. Novamente sentiu o corpo quente vindo em sua direção, no entanto seus passos tentaram ganhar uma partida em busca do início.
O passo apressou-se não desejaria perder para pés duma moça. Seu corpo agachou-se com o involuntário frio e desejou jamais ter saído de seu lar – sentiu uma mão tocá-la – seu vocal repreendeu, o grito estrondou apenas o íntimo do seu corpo. Nenhuma janela curiosa pôs a checar o grito, seus olhos claros buscaram o teor dos olhos da morte. Ele sugeriu que ela voltasse a sorrir, ela sugeriu novamente buscar a chaminé que indicava sua chegada. Seus dedos grotescos desejaram sentir o rosto alvo e quente em meio aquela neve, o reflexo da repugnância fora inevitável e decifrável aos olhos do grotesco. Desesperou-se, desejou que ela nunca tivesse sorrido um sorriso encantador e aconchegante que anteriormente teria sentido – lágrimas sofridas eram presenciadas e congeladas amargamente por ambos olhares. Implorou sua ida, implorou sua volta ao encontro de seus familiares, mas os ouvidos do seu receptor estavam completamente envoltos da decepção que seu ego haveria sofrido – mãos iradas reforçavam com violência a sua presa.

O seu perfume fora despejado pela estrada revoltosa, o aroma guiava-se até a chaminé.
Uma mente perdida chorava pela perca eterna de sua flor. Ele apenas desejará sentir o calor do seu sorriso em meio à névoa maldita.
[...]