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O cômodo


No teto o ventilador rodara com lentidão. O cômodo era fervessido pelas altas temperaturas corporais entrelaçadas em conjunto, o embale das mãos percorriam e em entorpecidos pelo aroma agravante – insuperável – ou estrondeante se extraiam apenas pela atenção dos olhares curiosos. Mas, curiosos não eram apresentados e nem configurados ao cenário dos amantes, o aconchego medíocre que o cômodo apresentara, assemelhava-se a um casulo onde apenas habitara pessoas, seres e substâncias. Eles eram as substâncias e os seres se caracterizavam em modalidades inanimadas – seus corpos fervessidos eram acomodados pela grande poltrona, à poltrona fechava suas pálpebras para não tornar-se atraída pelo foque imensurável deles.  Em um repentino olhar a mercê das janelas cobertas de água e umidade interna, a mulher levantou seus olhos apressados e desejara pronunciar um basta naquela cena estonteante, contudo seu corpo se veria ainda mais entregue após sentir aquela língua maldita vasculhar pelo seu corpo vulnerável àquele homem. As sensações nunca eram as mesmas, já conhecia àquele toque, àquele corpo, àqueles sussurros provocadores, mas as sensações nunca eram as mesmas. Ousou sinalizar com sua mão a parada obrigatória para a movimentação corriqueira, seus olhos não esconderam a surpresa daquele desaveio que sua companheira sinalizara. Pôs-se em pé e caminhou nu defronte a janela – lá fora a chuva caia sem cessar – o frio prazeroso o fez reacender o seu cigarro exposto ao cigarreiro que ainda possuía uma breve fumaça a soltar, a moça o observava ao relento, mas logo se pôs a levantar-se e novamente transformar-se em uma pacata cidadã. O olhar perdido e ao mesmo tempo fixo do homem para com a chuva resultaria a inquietação mental da mulher, o que ele estaria pensando? Pensou. Em passos delicados a mulher tentava se aproximar do seu homem, suas vestes ainda não cobriam perfeitamente seu corpo, ele ainda tragara seu fumo.

- Você sabe que estou em ambos os lados da cerca... – sussurrava E eu sei que você não acreditará em mim. Compreendes que não posso tomar minhas próprias decisões ou tomar qualquer uma com precisão... – não concluiu.
- Bem, talvez você deva amarrar-me. – olhou-a de relance.
- Prefiro brincar de liberdade com selvagens. – Eles sorriram.
Os músculos resistentes pareciam prendê-la entre a parede e corpo daquele homem, seus olhos cemi-cerrados não demonstravam nenhuma insatisfação em ser prendida por ele, talvez o inverso dos sentidos fosse prestigiado. E novamente a fraqueza carnal tomá-los-ia e as sensações já sentidas eram mais uma vez redescobertas.  Mãos brutas redescobriam aquele corpo maciço e ininterruptamente a fraqueza se faria entre eles. Então seus lábios desbotados e aparentemente destorcidos, sussurraram:
- Preciso ir... – tentou encontrar seus olhos.
- Eu sei... – fugia dos seus olhos.
- Bem, eu não me importo sobre o que pensam de mim... Importo-me em consegui o que queremos. – afastava-se dele e procurara suas vestes. Parecia que o encanto já haveria se expirado. Realmente existia encanto? Ou seria o canto desconhecido dos dois corpos?
- Será isso mesmo o que queremos? – tantas perguntas e incógnitas respostas.
- Será realmente esta a pergunta? – calaram-se.
Então os corpos estavam definitivamente desconectados, afastados, distantes. Seus olhares levavam a despedida dolorosa daquela tarde chuvosa ou simplesmente esta não seria a última despedida e sim o início de muitas. Ressaltada com a beleza e a expressão cordial que seus passos e sua postura ofuscara em sua presença; a mulher esconderia pra si todos aqueles momentos, esconderia e ao mesmo tempo gritaria ao mundo. 
  
Ela encontrou no carro.
- Para casa, por favor.
Os olhos do motorista a olharam pelo retrovisor. Àquele olhar, definitivamente, a destorcia de maldade.
[...]


Para os projetos: Bloínquês - 53ª edição musical
                          Créativité  - 06ª edição musical

Comentários

  1. Nossa. Conto muito bem escrito.
    Manteve minha atenção presa do início ao final. Tem continuação né? *-*
    Beeijos

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  2. Parabéns!
    você escreve muito bem e seu blog é mt legal!

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  3. Gostei imenso! Não foi mesmo uma tarde fácil para nenhuma dessas pessoas.
    Gostei deste novo visual do teu blogue! :)

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  4. A riqueza de detalhes do teu texto é sensacional. Dá pra imaginar cada cena, cada fala e pensamentos.
    Lindo.

    =*

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  5. Arih, que texto lindo!
    Lindo post!
    Tem selinho pra ti lá no blog.
    Espero que goste.
    beijo ;*

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  6. Você torna cada linha uma realidade!
    Parabéns!
    adorei!

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  7. altas temperaturas corporais...uauau adoro isto minha linda, sou um amante á moda antiga, sou um apaixonado por detalhes, coias que acontecem lentamente, sempressa, sem correria, minha linda poetisa de Paulista vc encanta ao tio qdo deixa escorrer seu texto, uma mimosura, viu? Pra vc bjos, bjos e bjosssssssssss

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  8. Pam, tem continuação não. O que pode acontecer é ter outro conto com a possivelmente prolongação dele, mas com estórias independentes. Tipo, contos contínuos, mas com a lógica independentes. Não será preciso ler o primeiro capítulo, ou segundo para entender aquele que você está lendo no momento. rs

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Você tem uma forma de escrever que me lembra escritores muito famosos, sabia? Adorei o texto, e acredite que você terá um futuro bem brilhante se continuar escrevendo tão bem assim *-*

    :*

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  11. Detalhado, sensível. Gostei. A pergunta só não é correta quando a resposta é que chega antecipada. Nos pula o corpo, tira o sossego. O outro acha que muito sabe de nós e nossas vivências, mas da missa além de não saber metade, lhe falta o conhecimento da confissão.
    Beijoca!

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  12. vc tem intensidade nas palavras. gostei demais.

    http://terza-rima.blogspot.com/

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  13. BOA
    CONTOS ME ENTEDIAM
    MAS BOM ESSE!

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  14. Nossa, ficou liiindo! Boa sorte

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  15. Menina, belo post, belo blog! Tão inspirado e dedicado...te achei por acaso e estou seguindo! :)

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  16. Muito bom o jeito que você escreve, parabéns pelo texto que está ótimo e pelo blog. *-*

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  17. adorei, parabéns mais uma vez... Contos também acho meio chatos, mas adorei esse :)

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  18. Nossa, adorei o blog. só pelo fato de o texto estar muito bem escrito, você sabe muito bem como brincar com as palavras ^^
    ja to seguindo.
    beijos

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  19. Obrigado pelos elogios, e pela visita
    e muito sucesso para você. Adoro seu Blog!

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  20. Blog maneiro, gostei, gostei do texto também.
    To te seguindo tbm, valeu ;*

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  21. Este comentário foi removido pelo autor.

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  22. Arianeee você arrasaaa!!!

    texto muito bom, do início ao fim, a narrativa ficou mais que legal!
    envolvente, curioso e degustador... não parei um só minuto de ler... até que chegou o fim!
    ahh, gostei e gostei!
    acho maravilhoso isso, pois é tão raro
    encontrarmos blogs assim legais como o seu.
    ahhh, tem outra coisa, você é de PE tambéém, meniina qnd vi isso fiquei tão feliiz!
    vamos manter contato!
    Meega beeijo, e obrigada por ter passado lá no meu blog. =))

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  23. Diálogo fortes. Adorei aqui
    vou seguir

    ResponderExcluir
  24. por mais que não quisessem, meus olhos mantiveram-se grudados em cada palavra sua.
    portanto,
    seguindo você também.

    ResponderExcluir
  25. Tudo aqui me agrada.
    você sempre sabe como colocar as coisas, parabéns por isso :)

    Beeeeeijo flor ..

    ResponderExcluir
  26. Amei o post, e, nossa... Fiquei presa atentamente do início ao fim. Porque a despedida? Me perguntei por vários momentos. Bom, estou te seguindo, e ao me visitar (assim espero), gostaria que retribuisse, caso goste.
    Beijos :*


    http://railmamedeiros.blogspot.com/

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  27. que criatividade. que tarde. que blog!

    ta tudo tao lindo aqui conterranêa.


    um beijo bem grande

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  28. Excelente conto! flui de maneira leve e agradável!
    http://www.medicinepractises.blogspot.com/

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  29. Hahahaha, é verdade, dei uma relaxada e não postei mais nada. Mas prometo voltar em breve! Já acumulei alguns pensamentos para colocar no meu papel virtual. E as coisas parecem estar 'pegando fogo' por aqui. :p
    Te espero lá em breve.

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  30. Sou mais um por aqui!
    Vim te conhecer, retribuir a visita e de cara virei fã!
    Parabéns!

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