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13 de janeiro de 2011

Pensamentos



Pedimos um momento de silêncio em memória das nossas fraquezas. Enlacei-o com meus braços como uma segurança infinita, ele me protegeria do que fosse preciso, acreditava nisso, enquanto suas mãos asseguravam em meus cabelos claros como carícias dadas a uma delicada flor. Mas, as pétalas da pequena flor se desmanchavam em seus braços, não pude conter as lágrimas – de emoção ou de tristeza – em seu recanto, me desmanchei como uma bruma e tentei encontrar novamente um refúgio mútuo em seus braços. Ele parecia entender, bem, esperava que ele entendesse meus sentimentos naquele instante. Estava decidida a entrar naquele carro e procurar – eu mesma – meu destino; mas, ele me deteu e fez-nos um enlaço de momento. Ninguém se atreveu a quebrar nosso silêncio, apenas as folhas de outono se atreviam a cantarolar o canto de sua glória, a árvore parecia ordenar seus galhos a balançarem no momento da nossa insolidão.
Talvez, com um pequeno esforço, decifrasse o que ocorria em seus pensamentos enigmáticos, será que ele pensara a mesma coisa? Eu não sei, pensei por um breve momento nas duas plantinhas que nós dois tínhamos plantado. Elas simbolizavam o crescimento do nosso amor, na verdade, o crescimento e os anos do nosso casamento – elas existiam desde a nossa chegada em nosso lar. Uma nostalgia quebrantou-se dentro de mim e naquele período de entrega, relembrava os momentos que tínhamos passado em nossa casa. 
E cheguei à nostalgia presente; família, amigos, amigas... Influências. Tudo isso misturado é a receita de uma perfeita e amarga discussão. Segredos discutidos apenas entre amigos, viam a tona ente às amigas e os desgostos de influências eram presenciados com as famílias. Mas, tínhamos guardados estas mágoas dentro de nós e explodidos como uma dinamite na tarde de outono. Então, eu abri meus olhos e vi que nem tudo estava perdido. Afinal, nós dois iríamos levantar nossa própria família. Acho que sorrimos, eu não lembro bem. Entrelaçamos e saiamos daquele estado de êxtase impactante e tentamos retornar a nossa casa. Passaríamos pelas plantas intactas, elas teriam sobrevivido a brigas, trovoadas e ensolaradas de verão. Por que não poderíamos agir um pouco como elas?  E elas são seres vivos, apesar de serem vegetais. Bem, é melhor eu não pensar nisso agora. Então, ele sussurrou no meu ouvido.

- Onde você vai quando está triste? - sua voz sempre me fez estremecer.
- Para nossa cama. – sorrimos.
- Acho que ela espera por nós - ele concluiu. 

Seguimos para o meu refúgio, nosso refúgio, quando fugimos da solidão. Acho que as plantinhas não teriam esse refúgio; no entanto, suas raízes se conectariam de alguma maneira, como aconteceria em alguns minutos conosco.


Para o projeto Bloínquês.