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28 de fevereiro de 2011

Aquela mulher

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Isso não é um lamento e nem palavras duvidosas rabiscadas. O que escrevo é uma parte da imortalidade que desejo sobre meus sentimentos de outros tempos. Quando me sentir oco esses escritos me preencherão. Não precisa ser algo materializado. O que sentimos e deixamos de sentir nos preocupa por um corpo inteiro. A noite já deixou de ser minha companheira e me entregou as descaso da madrugada. Aquele era meu terceiro copo de bebida, ao contrario de alguns, a bebida me deixara confuso e irritado. Foi quando aquela senhora entrou. Não a chamo de senhora pela idade, pelo contrario, seu rosto aparentava uma beleza jovial não muito comum. A chamo assim pelo notável anel de ouro em sua mão esquerda. Casada. Ah, como desejei ver um pouco mais do seu corpo. E quando dava outro gole... Tirou com leveza seu casaco de couro. Deixou-o cair no chão imundo daquele bar e andou com sutilidade naquele chão sujo até o palco das meretrizes. Olhos resistiam a acreditar, outros sorriam com ar de malícia e a minoria continuava seu fumo e deixava a fumaça ascender todo o seu rosto. Meus olhos eram daqueles que custavam a acreditar. Seu corpo era alvo, sem manchas sem rugas. Mas seus olhos traziam consigo algo muito sombrio. Delineados de preto e sombras opacas negras eles acompanhava sua pele branca com o vermelho vivo em seus lábios. Deixou seu corpo inexperiente dançar conforme a música. Deixou seus cabelos se soltarem por sua própria vontade. Quereria se expor mas que as outras mulheres. Sentiu vontade de ser a única mulher naquele palco e que todos os olhares apenas se voltassem para ela. Este desejo era estampado nos espelhos da sua alma. Ah, como desejei tocar aquele corpo. Mas a vida é independente e não se importa com o seu pensamento, a vida quer viver e apenas deseja que você siga o ritmo. Seu nome era anônimo, seu corpo intocável. Sou um espectador, não me pergunte quem era ela e por que estava ali. Dei outro gole e levantei. Nossos olhos se encontraram com uma corriqueira sensação de arrepio. Era evidente que outros homens a desejavam, mas aquela mulher seria minha. Caminhei até o palco e o vigia chegou perto. “Ela não é uma das suas” ele saiu. A agarrei pela mão e a puxei comigo. Isso não é um lamento e nem palavras duvidosas rabiscadas. Ainda lembro dos seus sussurros em meus ouvidos. Sabíamos que seria apenas uma noite. Aquela mulher anônima mexe comigo até hoje.


(Arianne Carla)