}

18 de fevereiro de 2011

A idosa



Olhos opacos com um falso azul da velhice deslumbravam uma toda geração prolífera da sua juventude. Um filho, outro outro e outro demonstraram depois de alguns anos seus filhos ali prostrados à mesa com seus outros filhos. Suas mãos apresentavam a fragilidade de aconchegar em seu colo seus netos energéticos, seus olhos escondiam a sensação do limite posta em seu corpo. E seus lábios secos eram umedecidos com água sem gosto; possivelmente lembra-se do passado por um breve relance e regozija-se por inteira da sensação prazerosa que já sentira. Seus cabelos um dia soltos e lançados ao vento de uma manhã de pleno verão; seu corpo  firme com uma belíssima peça de bolinhas e adentrando-se na água salgada na praia de Ipanema. Agora, apenas suas palavras ecoavam com beleza ao centro da sala, uma voz roca, por assim dizer, mas firme e autêntica defronte a todos. Sua fragilidade seria apenas no corpo, na matéria. Sua força era inacreditável e proporcionava toda uma história impessoal que trazia sobre si. Seus pensamentos eram intensos mais que um mergulho independente. Fortalecia-se em sua rocha material não em riquezas materiais. Tinha consciência que a idade avançada lhe tirara inúmeras coisas e prazeres da vida. Via, um pouco além, àquela menina que um dia fora ela. Cheia de vida. Cheia de expectativas. Mas a riqueza de carregar gerações e sentimentos vividos dentro de si era ainda mais estrondeante; e, olhava-se ao espelho: poderia ver o espelho da sua alma, apesar de ser distante e impulsivo, era nostálgico querer tocá-lo. E agora outras gerações passariam em sua frente – desejara – que eles sentissem além do quê o seu corpo sentiu.