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1 de abril de 2011

Vik - Final

Um pouco da Vik:

E apresentação acabou. Já não lembrava mais daquele torpedo de Bruno – lembrei agora e dei uma olhada novamente nele. Saímos e formos lanchar na praça de alimentação. Conversamos, rimos novamente e ficamos em silencio por um momento. Tudo foi tão de repente que nem percebi o tempo passar. Despedimos-nos e seguimos novamente nossas vidas. Até eu tenho seguido a minha, mas não está sendo nada fácil. Não tenho amigas confidentes; não sou popular nessas redes sociais; minha agenda possui mais números masculinos. Dizem que os melhores amigos são os homens. Acredito que se deva moderar. Passei quatro dias sem anotar nada no diário, e já começo ter a impressão que ele não renderá muito – já tinha previsto isso. Não pensei em Bruno nesses dias, e esqueci como tinha sido aquele dia com o Anderson por causa das ocupações da faculdade. Estou começando a entender os pensamentos dos meus amantes. Eles me falaram sobre isso, sobre esse vazio quando você se depara com a vida e ver que ela é apenas uma vida. E que se deve aproveitar com bebidas, noitadas e lençóis bagunçados. Aqueles meus amantes e seus livros pareciam sempre tão certos.

Bruno se importa comigo apenas por um motivo: somos de cidades pequenas, onde famílias prezam por seus valores e onde dois caipiras e inconseqüentes se encontram ao pôr-do-sol as beiras duma cachoeira e fizeram sexo. Éramos virgens. Sabíamos da sentença dos nossos pais, e isso é um dos motivos para com que minha mãe me odeie. Encontrávamos sempre quando era possível e sempre fazíamos as mesmas coisas. Nosso quase relacionamento foi bom. E acaba aí. Espero que sua atenção um tanto exagerada sobre mim não seja para voltar aos velhos tempos. E o Anderson conheci por aí, numa dessas boates. Suas mãos grandes e a pele morena me fizeram nortear. Hoje ao chegar em casa mandei um torpedo.

Era mais ou menos 23h40 da noite quando bateram na porta. Sorri, ele sorriu. E com gestos apressados, mãos firmes e bocas maliciosas encontramos novamente a cama. Afinal, quando se ler um livro, algumas folhas já lidas querem ser relidas. O vento, a força, a gravidade as proporcionam o movimento para retrocederem. A noite foi ótima. Foi bom sentir novamente aquela sensação que apenas tinha sentido com ele na minha adolescência. Ele adormeceu. Também adormeci. Já era manhazinha quando acordei.

Enquanto escrevia tudo isso no caderno, a campanhia novamente tocou. Era 7h15 da manhã. Ele ainda dormia. Abri a porta, ele me chamou de neném e o chamei de criança. Disse que estava muito cansada e que tinha trabalhos jurídicos para serem feitos. Ele beijou minha mão e saiu. Encontraríamos às 23h30. Prefiro encontros às 23h00. Bruno ainda dormia. Pensava numa desculpa para dizer a Bruno. Diria: Hoje a noite tenho trabalhos jurídicos para serem feitos.


Fim