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30 de janeiro de 2012

Do mesmo jeito?

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E, finalmente, ele teve coragem de ir até lá. Bateu na porta incessantemente e chamou-a pelo nome. Sua impaciência era notável quando começou a gritar por desculpas e que não conseguia viver sem ela. Apenas a luz  da sala acendeu como resposta e ele ouviu passos em direção à porta. Teve um pouco de fé que ela iria o atender.
- O que você tá fazendo aqui? – ela sussurrou no meio da noite.
- Vim buscar você pra mim. – ele não conseguia controlar a emoção e falava alto mesmo, alto para todos escutarem.
- Acho que você veio um pouco tarde. Não sinto saudade.
- Não sente saudade do quê? Não sente saudade das brigas? Nem eu!
- Vai embora.
- Ainda gosto de você, do mesmo jeito. Abre essa porta... Vamos conversar.
- Do mesmo jeito?
- Sim.
- Você ainda tem os mesmos sentimentos por mim?
- Sim, claro que sim!
- Vai embora.
- Por quê?
- Por quê? Eu te amava um pouco mais a cada dia, enquanto você me amava da mesma maneira. Isso é cruel demais...
- M-mas... – ele não conseguia continuar. Do outro lado da porta ela chorava e desabafava pra ele. Parece que naquela hora ele não tinha mais as forças de antes para continuar. Talvez ele tivesse mergulhado em sua própria ilusão e naquela noite ela estava lhe mostrando a realidade.
- Pode ir... Eu já consegui superar tudo isso e acho que você também. Não importa mais quem errou e sim que tudo entre nós dois acabou, não há mais volta, é um ponto final.
- Lembra-se de como nos conhecemos?
- Por favor, vai embora...
- Eu te perguntei se você conseguia ouvir meu coração, lembra?
Silêncio
- Lembra?
- Lembro.
- E agora? Consegue ouvi-lo ou ficamos afastados demais? – ele tinha reconhecido que a amava e que com ela tudo era diferente. Queria que ela o perdoasse pelos momentos ruins e incompreensões. Pelos momentos que não demonstrou o seu verdadeiro amor.

- Consigo ouvi-lo e ele diz que, esse meu coração aqui, não ama mais você.

- Não precisa mais repetir... O escutei também.
Agora os passos que antes vinham agora retrocediam e a luz fora apagada. O coração daquele rapaz doeu, talvez bem mais do que o dela, mas ela tinha decidido amar um pouco mais a si. Infelizmente o seu coração estava fechado demais para mais uma chance.
Quem choraria naquela noite por um amor não correspondido?