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13 de janeiro de 2012

Sorriso de tinta.



"Pai, esse seu sorriso nunca se desmancha" E ele teve medo de responder. Não queria revelar que o sorriso era de tinta e saía fácil; até com lágrima desmanchava o colorido do palhaço. E, naquele quarto apertado, uma promessa se findava: Que apesar da dificuldade, uma festa chegaria e jogaria fora toda tristeza dos últimos dias. Os olhos do garoto se iluminaram e o coração do palhaço se angustiou, quis controlar a emoção e o choro daquela imensa dor.  Como dizer que teve uma infância sofrida, sem sorrisos doces e sonhos de mentiras? Agora era homem de família e não queria continuar naquela vida, queria algo melhor pro seu filho, mas era difícil, ele sabia. Era palhaço para ganhar risos e assim escondia seu rosto sem sorrisos. O dinheiro não era suficiente para uma festa de caprichos e o garoto sonhava alto por um quarto cheio de presentes.

Saiu do seu lar apressado e esqueceu-se de beijar sua mulher. Só conseguia pensar em como faria para que aquele ano tivesse presente. Tinha prometido festa grande: bolos, guloseimas e muitos mais. O que fazer meu Deus? Se perguntou perturbado e cheio de incertezas. As crianças sorrindo o apontavam, outras se assustavam gritando é o palhaço andando pela cidade procurando uma estação. E quando no coração a tristeza o inundava, eis que avistou um anúncio. 
Procuravam comediantes para festas infantis, conseguiu sorrir, era no mesmo dia do aniversário do seu filho.  
Festa de gente rica, cheia de comida e distração, apenas a mãe de família não tinha convite para essa diversão. Correu até em casa e contou um segredo pro seu filho: Tinha achado uma cidade que seria só festa e lá precisaria de muita alegria e disposição. O menino foi pintado de mini-palhaço, mas com um sorriso um pouco desbotado – a fantasia era parte da regra, o pai afirmou. Foi quando um desafio surgiu: O pai não tinha convites e tinha que convencer o homem de preto que eram palhaços da alegria, afinal, ele bloqueava a entrada para a cidade da festa. O menino disparou sorrisos e derrubou em graça aquele empecilho. Entraram contentes e seu pai sussurrou que ele já tinha ganhado o primeiro presente da vida: O poder de convencer. Ninguém percebeu os homens vindo do outro lado, afinal, estavam disfarçados. 

Misturado com as outras crianças, o filho do palhaço percebeu que a felicidade fazia sua tinta cair e assim descobriu que nem sempre se sorrir. Buscou os olhos do pai e com seus lábios agradeceu a festa de tinta – ela também acabaria e guardaria um doce pra mamãe. Olhou também para os céus e viu as bolas coloridas subindo. Parece que tudo se vai e fica só na memória, nas lembranças. Ele não queria esquecer. Descobriu a aventura de ser um palhaço e o pai atingiu a felicidade por conseguir um sonho de verdade. A noite foi indo embora, os palhaços se abraçaram e a festa foi contagiada pela magia do palhacinho. A cidade amanheceu em festa, a cidade mágica ficou na memória – o menino acordou com saudade do que passou. Descobriu o sentido do sorriso de tinta. Agora queria os presentes fossem feitos de muita alegria.  








Ps: O conto é grandinho, mas vale a pena ler. 
Pelo menos foi pra mim depois de ter terminado. 
Minha internet está horrível, blogueiros. 
Me perdoem a ausência nos blogs de vocês. 
Pra postar aqui levo minutos extensos pra carregar e atualizar. ): Um beijo pra todos! Arih.