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29 de março de 2012

A nossa história de amor. Cap. I

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Acompanhe:  Prólogo  -  Capítulo I - Capítulo II)


Era inverno. E, apesar do tempo frio, não chovia nem nevava na hora. Lembro daquele dia como se fosse um nascimento de outro. Encontrei duas vidas que se uniram em apenas uma e a necessidade de lhe contar esta história me acendeu. A moça, em questão, chamava-se Ana. Poderia defini-la como uma garota que arriscava-se em aventuras. Vivia no impulso que a vida lhe proporcionava, gostava da intensidade que as coisas lhe fluíam e o amor pela arte era uma característica que se achava nela. Sabia que tocava piano, seus dedos lhe condenavam isso e o amor pelos livros era descoberto ao vê-los em sua bolsa.  Mas, quando a vi pela primeira vez, não tinha vida em seu semblante. Estava sentada no banco da praça apenas vendo a vida passar, a magia do seu rosto não tinha morrido, mas estava sem cor, sem brilho. Tinha batido uma vontade enorme de sentar-se ao seu lado e oferecer meu lenço como gentileza, não queria incomodá-la, mas um ombro de um desconhecido poderia valer apena no momento.Porém, outra pessoa sentou-se ao seu lado. Notei que também lhe faltava o brilho em seus olhos. Que desencanto, Meu Deus. Dois pobres miseráveis num mesmo banco da praça, sem motivos para sorrir, sem motivos para se reerguer. O seu nome era Romeu. Talvez um rapaz que não tivesse medo de se apaixonar – encontrar um amor e um canto tranqüilo para viverem. Mostrava-se imperativo, já que seus dedos eram inquietos, mas por falta da doçura da vida, limitava-se ali. Quem sabe se olhos de Ana e os de Romeu tivessem se encontrado tudo teria sido diferente? Mas ambos se levantaram e foram em rumos diferentes. Iria haver um reencontro, no entanto, ambos teriam que ocupar suas bagagens da vida e levarem as suas juntas.

Segunda-feira – 08h35 da manhã.

Despertador. Livros abertos. Batidas na porta. Ana acordou sem desespero e viu o quão atrasada estava, mas isso não perturbou sua tranqüilidade. Bocejou antes de atender que lhe chamava àquela hora, pensou que seria ele pedindo desculpas, pedindo pra voltar.  Mas, para sua surpresa, fora apenas o entregador de flores.  Era o primeiro buquê da semana sem remetente, apenas com um cartão que lhe dizia para ficar bem. Em todos os dias úteis recebia um buquê, cada dia de uma cor. As segurou e olhou pela janela. Viu como o céu estava nublado, mas não chovia. Ana gostava do frio.

- Outra vez? Mas quem será o dono da floricultura que está me amando? – olhou para flores, as cheirou e suspirou com um sorriso no rosto. O mistério era grande, mas alguma coisa dizia para não ter medo. Com sua roupa de dormir e com os seus cabelos negros curtos bagunçados retornou ao seu quarto, retirou as flores muchas do vaso que ficara ao lado da sua cama e colocou as flores vivas. Hoje eram vermelhas. Na verdade, toda segunda eram vermelhas. Seu telefone tocou. O coração disparou. Não era ele.

- Ana?

- Alô? Ah... Oi Juli. Primeiro: Me desculpe pela demora, na verdade, acordei agora e não poderei ir ao encontro. No próximo, prometo não faltar, mas é que minha madrugada foi muito longa...

- Sei. Muito longa? Bem, eu só liguei para te avisar da novidade que está rolando toda vizinhança. É sobre Alexandre, já sabe?

Seu coração tremeu. Alexandre tinha sido o grande amor da vida de Ana, mas tinha sido traída logo após sua viajem para o exterior. Era intercâmbio, e pelo que parece, ele não teria suportado seis meses longe – de saudade (era o que ele argumentava) e a traiu. Por ela, tudo já tinha sido superado, mas ainda não tinha conseguindo transforma-se em uma máquina e deletar tudo o que tinha acontecido.

- Não, não sei. Preciso realmente saber? Ele já não me...

- Ele viajou. Dizem que vai demorar muito pra voltar, advinha... A  amante foi junto.

- Espero que ele tenha uma boa viagem, apesar de tudo, Juli.

- Hum. Quer saber minha opinião? Ele que se exploda. Aquele cara é um perturbado, isso sim. Toma banho e vem pra cá. Recebeu as flores hoje?

- Recebi sim e, como de costume, hoje foram as vermelhas.

As duas sorriram. Ana se preparou para sair naquela tarde. Gostava de usar preto nos dias frios e prender seus cabelos para trás como se fosse um nó. Saiu sozinha e antes de se encontrar com Juli, parou na praça central e sentou em um dos bancos. Um dos seus lugares favoritos. Pensou em Alexandre, era difícil. Não notou que outra pessoa tinha sentado ao seu lado. Era o Romeu. Ele pensou em Eduarda, era difícil. Eduarda tinha encontrado um Alexandre e viajado, sem explicações.  Ambos se consolavam sem saber. Ana e Romeu: Corações partidos que poderiam se completar. 



Continua...
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