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5 de abril de 2012

A nossa história de amor. Cap. II


Acompanhe:  Prólogo  -  Capítulo I - Capítulo II)


Ana não aguentou a intensidade dos seus próprios pensamentos e quase se rendeu às lágrimas quando lembrou do motivo de estar ali sozinha, sem ninguém para preencher o seu pedaço da falta de amor. Alexandre a traiu. Ela tinha se entregado – prometido que era apenas ele – e tudo se afundou quando percebeu que tinha prometido sozinha. O problema não era ter acordado de um sonho, e sim, ainda estar pensando nele quando acordada. Enquanto acontecia esse encontro de porquês na mente de Ana, ele, o Romeu, tinha um olhar vazio em direção ao parque. Ele tinha chegado ali sem nenhum motivo aparente, as memórias sobre Eduarda ainda eram fortes, apesar de sentir que iam morrendo aos poucos – dia após dia. O que restava agora era apenas o apego de tantos anos de convívio. Apesar da barulheira das crianças brincando com suas mães, Ana e Romeu não pareciam se importar e nem ao menos estarem interessados em sair dali. Se eles tivessem se virados um pro outro e comentado a inocência daquelas crianças, talvez tivesse sido diferente.

 No entanto, o telefone de Ana tocou e ao atendê-lo se propôs a sair da praça e seguir seu rumo à casa de Juli. Uma conversa básica, sua amiga estava preocupada com sua demora e perguntava se iria demorar. Ela disse que não, que estava perto e zombou dela própria por pensar em alguém que não estava pensando nela. Apesar dos risos soltos, Romeu escutou a sua conversa e apenas viu uma morena com seus cabelos presos indo em direção oposta. Ele também quis rir, mas pegou um papel na bolsa, pegou seu lápis e começou a escrever uma poesia. Telefonou para um amigo e disse que estava pronto para voltar a declamar no Bar das Letras, era um lugar de encontro de escritores e amantes das artes. Todas as noites eles bebiam e apresentavam suas novas poesias. Romeu também se despediu da praça e foi para sua casa. Havia combinado de se encontrar com uns amigos, na verdade, com os amigos dos amigos dele. Conhecer gente nova faz bem, alegava um dos seus companheiros. Apenas soube que conheceria algumas meninas que também amavam literatura.

- Ana... Por quanto tempo você ficará assim? Alex não se importa com você. Não percebe? Nunca se importou. Confesso que você não é uma perfeição, mas poderia ser considerada como uma namorada ideal. Bela, inteligente, de bem com a vida e única. Quantas meninas não queriam ser como você, hein? Antes dos 20 já estava morando sozinha e independente. Esquece esse cara, por favor.

- Não é tão fácil assim, Juli, mas você está certa. Apenas não quero sair por aí e me encontrar com qualquer um. Me encantar por palavras soltas.   Quero algo diferente este ano, na verdade, estou pensando em viajar e deixar as coisas acontecerem devagar... Nada de apresentações dos amigos dos seus amigos e nada de falar de mim por aí.

- Nada de apresentações dos amigos dos meus amigos...?

- É... Por quê? Ah, não. Eu sabia! Lá no fundo eu sabia que essa insistência só poderia ser algum encontro secreto. Juli, eu não quero. Não quero conhecer ninguém. Infelizmente, meu coração ainda está muito frágil, abalado, atormentado, desestruturado...

- Para, para, Ana. Não quero ouvir seus adjetivos via vocabulário Aurélio no meu ouvido. O pessoal daqui a pouco chega. É melhor você pensar em algum assunto interessante, parece que os rapazes amam as artes e são fissurados por literatura. Tem um que até quer escrever um livro. Bem você, não?

Juli estava certa, isso atraiu a atenção de Ana. Encontrar com pessoas que gostavam das mesmas coisas que as suas, era raro, além de conhecer um quase escritor. O pessoal da faculdade não eram tão legais assim. Talvez ela tivesse visto uma possibilidade  de conhecer alguém, mas nada além disso. As amigas ainda conversavam quando a companhia tocou.

- Será que são eles? – perguntou Ana, curiosa.




Continua... Será que é Romeu? *-*
Estou sem net, pessoal. Posso demorar um pouco para visitar alguns de vocês, me perdoem.
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