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5 de maio de 2012

Uma noite

03h00 da manhã.  O telefone toca.
- Alô?
- Te quero hoje. No mesmo lugar, às 20h00.
- Vik?! É você?
- Você sabe que sim. Te espero.
- Espera!
Fim da ligação. O que ele queria falar era que não dava mais. Não queria continuar alimentando aquele vício desenfreado. Fechou os olhos buscando alguma reação e esperando uma tal de coragem para impedi-lo de ir até ela, deixar pra lá. Mas não adiantou, a vida dele não deixava a dela partir. Pensou que conhecia o amor e que já tinha passado por suas fases: O encanto, a conquista, os carinhos mútuos, as decepções, as recaídas, as desilusões e o fim. É, ele pensou, mas quando conheceu a Vik, era  a Vik. Estava se completando ao decorrer dos dias, o seu sorriso saia fácil com ela. Sentia bem lá no fundo, por todo o seu corpo, que era correspondido. Era um amor real, um amor recíproco, um amor achado entre tantos desamores. Sentia-se vivo. Sentia-se moço. Sentia-se poesia. Era igual trança, se completavam da maneira certa.
- Ah, Vik... – A vida brinca com a gente, moço.
E brincou com eles, mesmo que eles tenham gostado da brincadeira até certo ponto, a curva da montanha-russa foi perigosa.
03h30 da manhã. Ele liga pra ela.
- Vik?
Silêncio
- Vik, fala comigo.
O suspiro dela é sua resposta.
- Olha, Vik... É tão difícil falar, me perdoa? Me perdoe mesmo, mas não posso mais. Não quero mais te magoar e nem quero mais chorar – ela disse que ele nunca a tinha magoado – Olha, eu te amo. Não é da boca pra fora, você sabe, eu te amo muito. Tantos problemas apareceram e nossas tentativas falhas de nos afastar... - Ei, moço, os problemas sempre falam mais alto, não é? - Você me faz bem, eu te faço bem, mas os nossos caminhos estão em outras direções... - Vamos pular esses caminhos e criar um só nosso - Pelo menos agora, então...

A campainha toca. Ele vai até a porta com o celular e não ver ninguém pela brecha. Abre com curiosidade. Vik sentada e chorando no chão. Surpreso. Susto.
- Estava aqui o tempo todo? 
- Cheguei agora.
- Por quê?
- Eu sabia que você não iria...
- Você sabe o porquê...
- Só hoje?
- Foi o que eu disse antes de ontem.
- E foi a última 'daquele hoje'.
- É a última entre nós.
Silêncio
- Quer que eu siga em frente?
Silêncio
-  Olha pra mim e fala para seguir em frente!
- Não posso.
- Por quê?
- Quero seguir com você.
Porta fechada. Corpos colados. Algumas lágrimas encobertas. Uma recaída dói, simplesmente quando o coração ainda ta cheio de saudade e sabe que a incerteza é uma vírgula maligna do amor. Mas o que dizer se apenas seria naquela noite e lamentos pela manhã?  É, uma única noite.