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14 de agosto de 2012

Confesso a você



Vou te confessar algo hoje, confessar algo que te disse apenas uma vez e acredito que você se esqueceu. Não, não são mais promessas e lembranças de como éramos ou como deveríamos ser. Já passamos dessa etapa e, tendo ganho ou não, fizemos a nossa parte. Tentamos ser felizes. Toda a nossa experiência fez desabrochar algo mais lindo dentro de mim e, toda vez que recordo, é com um sorriso. Queria ser sua eterna pintura, a cada dia ser sua inspiração e ser movida pelas suas cores ou pincéis. Queria ser sua eterna inspiração. Mas me disseram que as coisas terrenas não são eternas. Isso me magoou. Mágoa que o mar vai levando, até que chegue em maré e o choro acabe. Vamos lá, concentração! Mais um pouco de calma e leveza, mais um pouco de sabedoria e equilíbrio, com uma pintada de atração física múltipla. Você foi o meu homem, eu confesso. 


Cheguei naquela estância do amor bonito e perfeito, aquele amor que não tinha aborrecimentos e nem desesperos alheios, apenas a necessidade saudável do querer estar perto. Muitos gostam de dizer que essa dependência um do outro não faz bem, é coisa de doido e que o baque sempre é maior. Mas pensando bem, eu aprendi com o baque também. Vi que você tinha chegado onde nenhum outro tinha: naquela minha porta intocável. A porta é o sentimento mais intenso e delicado de mim. Aquela porta onde ninguém jamais bateu, mas nunca bateram por medo. “Se abrir, serei levada pelo amor e, fisgada, serei eterna”. Os medrosos do eterno passavam longe, outros chegavam perto, tocavam a porta e logo corriam. 

Mas você chegou mansinho... Foi tirando a poeira da minha porta, foi pintando-a com uma cor mais viva, foi cuidando dela e abriu-a com carinho, com atenção, com magia. Me descobriu. Me dei. Me fiz sua. Não se preocupe, eu senti sua intensidade comigo, seu afeto, seu carinho. Eu senti tudo que poderia ter sentido. E, por isso, confesso hoje: te deixo livre. Entre tudo e o agora, não tem mais o nós dois. Confesso sua liberdade. Confessei no início de tudo e confesso agora. Não precisamos mais das bandeiras brancas, pra quê?  Estou dando passos que não vão até você e não quero que você fique parado. Gosto de certezas, segurança, amor. Gosto quando tudo não perde a essência do verdadeiro. Gosto de pensar em como éramos: Eu e você. E machuca não sermos mais assim, mas como a vida te entregou a mim, te devolvo a ela. 

Posso dizer mais uma coisa? Obrigada por ter cuidado da minha porta e não ter cansado dela, obrigada por ter me amado primeiro antes mesmo de me ver.


Queridos, tem postagem minha no Contarolando: "Madalena". Confere lá! Conto exclusivo. (:


@ariannebarromeu