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10 de setembro de 2012

Velho Amor

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       Fechou seus olhos com força e fez questão de pensar apenas nos momentos bons. Fazia isso para sarar com cuidado a ferida escondida no peito, fazia isso para superar o próprio medo de estar num labirinto sem saída. Usou a fé. Usou o que chamam de esperança. O recomeço daquele dia seria esse: Pensamentos positivos. Perfume antigo. Música alta não mais tocada na rádio. Levaria suas experiências das quedas e choros do passado, não para relembrá-las, mas usá-las como colunas ao amadurecimento.   Mas o que é amadurecer? Deixar de brincar amarelinha e se preocupar com a brincadeira vida? Aquela brincadeira aonde a  regra do amor vem assim: A gente ama e não é correspondido, a gente ama e as brigas vem, a gente ama e simplesmente se acaba. Parece que os caminhos sempre direcionam ao mesmo final. Não queria pensar naquilo e, só de pensar, a dor era forte no seu peito – bomba potente nos seus pensamentos. 


      É porque ela foi sorrindo por um caminho e não percebeu para onde estava indo. Quando parou de sorrir para pegar o fôlego, olhou a sua volta e viu tudo isso: O real. A realidade.  A dor marcada com faca. A faca manchada de lágrimas. Mas ousou arriscar num provável recomeço, refazer uma história antiga se refletir no seu presente. Ela se pegou falando sozinha e respondendo perguntas suas – aquelas que todos diziam que iriam passar, virar a página. Mas se as coisas fossem fáceis assim: "aí, vira só a página quando doer pela primeira vez". Seria proteção de culpa ou covardia mesmo?

 Querer apenas as coisas boas da vida é desprezar aquele recheio doce do chocolate amargo; é desistir de andar de bicicleta na primeira queda; é parar de sonhar quando a gente acorda e vê que voar é apenas questão de opinião. Porém, é amor não é? E quando ela fechou os olhos naquela tarde para curar o velho amor, ficou satisfeita. As lágrimas tinham acabado, a ansiedade tinha passado e o risco de mergulhar em outro amor nasceu. 

      Não virou a página, apenas fechou o livro e o deixou guardado. Há histórias que devem ser guardadas apenas como um marco e, de vez em quando, a gente se esquece. É um flash, flash, flash, mas quando ela foi dormir se preparou para novos sonhos e automaticamente não lembrou do flash. Lembrei por ela ou ela se inventou e escreveu por mim.  Tem velhos amores que apenas precisam passar.