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10 de fevereiro de 2013

Numa dessas prévias de carnaval

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           O dengo dela era farsa. Tudo o que eu descobri foi um sorriso de criança que se apaixonava pelos motivos errados. Amiga dos meus amigos, minha amante nas drogas. Não sei ao certo a idade que ela tinha, mas vendo pelo lado da sua irresponsabilidade e da depressão escondida por trás daquela máscara, eu arrisco uns 20. Morena, uns 1,60 de altura, leve como uma pluma (uns 44 kilos) e olhos que me revelavam tudo e ao mesmo tempo nada. Olhos que me inquietavam. Na verdade, sendo direto a esse ponto, seus olhos eram cor de mel. A encontrei quando estava sendo arrastado por um bloco e ela por outro - e, naquelas ruas do Recife, nos deparamos. Numa dessas prévias de carnaval, ela sorriu com cinismo e me puxou para o clima dela. Me fez dançar toda aquela tarde escaldante, e não cansei. Não cansei de estar perto daquela menina perdida e sem previsão de saída. Ela tinha toda aquela energia que me deixava com vontade de ficar. Uma personagem completamente perdida no mundo das fantasias. Hey, Vik, se você estiver lendo isso e esteja braba por estar contando sua pequena história em minha vida, fique mais ainda - suas fraquejas são minhas habilidades e você teve medo disso. Você tinha cheiro de saudade e big-big de menta. Tinha um gosto tão teu com recheio de chocolate. Você tinha sido meu presente surpresa desse carnaval.

                   - Você é um garoto esquisito! - ela comentava rindo e se jogando no meio do povo. Estava te estudando e em todas as provas tinha zero. Você, Vik, foi uma garota desconhecida que passou por mim e ficou. Quando você desapareceu em meio a multidão e voltou ao seu mundo de aventuras, eu imaginei como seria contigo no dia-a-dia. Como era a sua vida por trás daquela máscara barata da feira. Como seria se você fosse do mesmo bairro e nos encontrássemos todos os dias? Você teria a mesma energia? Você teria a mesma coragem de enfrentar multidões? Quem seria você? Me deixou nessa curiosidade. Lembro que descansávamos do bloco e rimos do cara  bêbado que nem sabia onde estava, rimos também quando outro cara passava por nós e escondia o anel no bolso e rimos mais um pouco, só que dessa vez mais tímidos, quando um casal se beijava em frente a uma câmera de tv. Como aqueles flashs de filmes de comédias românticas eu gravava cada momento seu: você sorrindo pra mim, você sorrindo para o nada, você fumando, você com um olhar perdido na multidão, você estando longe de mim e ao mesmo tempo pedindo a minha ajuda pra ficar, você me dizendo algo e eu não sabia o que aquilo queria dizer.

                 Corremos de mãos dadas. "Show de Lenine!!", você gritou. E cantamos alguma canção juntos e você foi permitindo aquele único abraço da noite. Você dançou, rodou, sorriu - outra vez. Chegou com aquele sorriso de menina e brincou com a sua máscara. Chegou mais perto de mim e me transmitiu uma mensagem que eu não consegui captar, e, você, cheirou/beijou meu rosto (seu perfume é tão marcante). E, como aquela lentidão dos cinemas você foi se afastando de mim com seus olhos entreabertos e logo cheios de vida. O que foi aquilo, Vik? O que você me disse que eu não consegui captar? Seus olhos me transmitiram sussurros impossíveis de traduzir. Assisti seu outro trago e me dizendo que iria comprar outra água para nós. E me deixou. Tudo bem, vou repetir essa cena que marcou de outra forma: Você prendeu minha atenção desde quando ficou brincando com a máscara e me encarando de uma forma sem igual, você me ganhou quando me beijou (senti aquela sua respiração) e eu não consegui me auto responder, você me ganhou e me deixei perder você.  Sua saída foi com um olhar de adeus. 
               
                  O show de Lenine acabou e me vi sozinho em meio aquela multidão eufórica. Eu sabia que você tinha fugido e encontrado outro mundo por aí. Talvez estivesse fumando para superar a dor. Vik, eu não sei como te descrever. Mas sinto falta de você aqui comigo. E, encostado nesses lugares que nunca sei qual é o nome direito, me vi pensando em onde estaria. Fechei meus olhos e...  - Hey, guri. Toma e quero um cigarro. Pensei que fosse ela, que fosse você, mas foi apenas um garoto desconhecido. Me deu aquele bilhete por um cigarro e me incentivou a escrever tudo isso que está escrito nesse texto. No bilhete tinha: "Você é um garoto esquisito! Estarei no próximo show. Quem sabe a gente se esbarra por aí?" E, não sei porque, imaginei você andando pelas ruas do Recife: "livre, solta", mesmo sempre estando presa em alguma situação. E essa situação sou eu no momento e eu a você. Estou terminando esse texto para tentar te encontrar. Dessa vez ninguém some. Ninguém fica sem a Vik.