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7 de março de 2013

A mulher anônima e uma arma

Before I Forget by Slip Knot on Grooveshark

Despertador. Abriu seus olhos como se estivesse preparada para a batalha, mas era apenas mais uma manhã comum. Escovou os dentes, penteou seu cabelo, retocava aquele seu batom vermelho sangue. Sorriu  para o espelho e acariciou aquela imagem que se refletia pelo vidro. Ligou seu mp4 e saiu de casa ouvindo Slipknot. Não era seu estilo musical e não o escolheria escutar enquanto caminhava, mas era uma dica do seu namorado. Queria brincar um pouco com o destino: por todas as peças no caminho em qual queria e já saber do resultado. Se mostrou armadora das surpresas da vida e quis apenas seguir. Só não sabia, ou fingia, que nem todos os caminhos são livres de armadilhas e algumas podem ser fatais. Optou, como sempre, em deixar pra lá. A moça em questão, a mulher anônima, conhecera seu namorado numa lanchonete pela quinta a noite e demonstrou seu interesse num sorriso tímido. Ela era garçonete, ele o cliente. "Por conta da casa", soltou naquele dia e ele respondeu com aquele sorriso cafajeste que ela não enxergava. Tudo o que ela via era um homem de porte atraente, sorriso gostoso e um olhar que a fazia sonhar com cenas longe dali, ou ali mesmo. 


Chegou na casa dele. Estranhou as janelas fechadas, o silêncio e o segundo carro na garagem. Abriu a porta com curiosidade e, ao mesmo tempo, medo de algo ter acontecido. Foi até a cozinha, ela sabia de todos os segredos daquela casa, pegou uma faca e abriu uma das gavetas perto do fogão. Encontrou a arma: colocou-a atrás da sua cintura e se sentiu um pouco mais segura. Subiu as escadas e perguntou pelo seu benzinho - ouviu uns palavrões e passos apressados do quarto dele. "Amor?" Foi caminhando com seu olhar de curiosidade e a faca na mão. Cena cruel: seu homem nu estava fodendo a ex daquele outro amigo viciado que sempre visitara aquela casa. Ficou em choque. Imóvel. Sem palavras. A anônima teria ficado como uma estátua de cera e um olhar perdido. "Eu posso tentar explicar..." Quis tentar de alguma forma revirar aquela situação. Mas não deveria ter aberto aquela boca. Um grito estérico assustou os vizinhos e a amante que se espantara com aquilo, apenas tentou correr. Ainda deve estar perdendo bastante sangue com aquela facada no ombro. Porta se fechou e mostrou um retrato de sangue. Então, seu foco finalmente era ele. 'Por quê? Ela fode melhor que eu? Por que, amor? Como você a encontrou? Ela te obrigou, não foi? Essa vadia!' Nada confirmado.

Começou a relembrar de como tinham se conhecido, como tudo começou como uma verdadeira história de amor e que ele tinha destruído tudo. Destruído tudo aquilo que ela sonhou, todos os seus desejos e expectativas que tinham sido frustradas. Ele era o culpado. Ele deveria pagar. Então, como a única tentativa que poderia ter tido êxito, ela ouviu um pedido de desculpas, um pedido de recomeço, um pedido de casamento. Uma respiração mais tranquila, mas suave, uma expressão mais amável. Ele pensou que tinha acabado até vê-la com uma arma na mão. Agora as regras tinham mudado. Vamos revirar esse jogo, ela falou". Foi se aproximando dele com um sorriso destorcido - a mulher ainda gemia de dor - "Você nunca me conheceu de verdade". E apenas se perguntava o porquê. Ela não conseguia compreender, aceitar, se controlar.

Expectativas: Ela era uma doida que tinha entrado na vida daquele homem por acaso, mas que não demonstrava o tanto que era perturbada. Nunca tinha encontrado o amor ou algo parecido. O único erro foi tê-la encontrado naquela noite, naquela lanchonete que ela nem trabalhava e sorrir para ela com aquele sorriso de quem quer sexo, mas que conquista. Ele se via morrendo numa assassinato rápido e sem dor. Perder sua vida por algo tão fútil e por uma mulher desequilibrada.

Realidade: A mulher anônima ligou para a polícia e informou uma briga naquele mesmo local que estava. Desligou o telefone. Ele não entendeu aquela atitude. Talvez ela já tivesse feito aquilo. Chegou perto da mulher ferida, parecia tão frágil/entregue,  e a obrigou segurar aquela arma. Ela foi a mira certa: a louca, ou a mulher anônima que ninguém sabia seu nome, fechou seu olho direito e pressionou o indicador da ferida para atirar dentre as pernas do rapaz. Gritos de dores, lamentos em soluços e uma risada sacana. 

"Você vai ser presa, sua louca..." murmurava a laranja do tiro. "Eu adoro desapontar" respondeu.








Obs: Há muito tempo não postava nessa tag "Mente Assassina". Espero que tenham gostado! Lembrando que comentários sempre incentiva e me deixa feliz.