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14 de março de 2013

Em busca do re/começo guardado


      Hoje você perguntou sobre a minha vida e eu te respondi com um vai tudo bem. Você sabia que a resposta não era aquela e fingiu acreditar só para não termos entrado naquele nível psicológico de sinceridades absurdas. Mesmo já tendo ouvido respostas parecidas ou desculpas esfarrapadas sobre a mudança de humor ou o tédio daquele sábado de maio, tudo foi em vão. Parecíamos esgotados, na verdade, estávamos esgotados de tudo. Eu volto ao passado e paro no nosso primeiro capítulo. A sua personalidade me inquietava, aquele seu sorriso me tirava do sério e seu olhar parecia (ainda parece) uma obra de arte que me dá prazer em admirá-la por tanto tempo. Por um algum motivo, ainda não sei explicar o quê, me sentia interligada a você por inúmeros cordões: talvez porque eu caía sobre ti e me sentia livre, como uma libertação depois de uma falsa condenação.


    Sempre estava com os braços abertos e pronta para dar a partida, sempre te via lá na chegada me esperando e tudo se tornava único. Nada de perigos. Mas, voltando ao determinado assunto que me levou a escrever sobre isso, na verdade, a escrever sobre o que nos ocorreu: nos perdemos em alguma virada de esquina e só notamos quando já estávamos partindo de avião. Deixamos em algum lugar a pimenta da nossa cama, o perfume dos  nossos constantes abraços e os sorrisos que nos contagiavam. Você embarcou no trem e nem perguntou a minha opinião, apenas subiu e decidiu que caminho iríamos tomar. Por que não planejávamos mais? Aqueles nossos planos caíram no ar e repousaram em outras janelas. Nossas mãos dadas agora são apenas mãos dadas, e isso dói. Nos olhamos por eternos segundos e algo sufoca para dizer algo para mudar algo que nem sabemos o que é. 

      Mas eu quero mudar tudo isso. Dessa vez, estou em algo que vale à pena lutar. Por nós. Por tudo aquilo que sou quando estou do seu lado e por tudo aquilo que imagino quando te beijo - eu acredito que vale a pena lutar. Estou colocando seu perfume predileto em meu pescoço e usando aquele vestido leve/solto que você tanto admira. Vou pegar o primeiro ônibus que dê para chegar em sua casa, tocarei a campainha e te convidarei para um experimento. Em segundos, te envolverei em um abraço, sentirás seu perfume predileto e você terá uma súbita vontade de me pegar no colo. Estarei brincando com seu subconsciente para que possamos mudar o final previsto. Estou pedindo dois minutos do segundo tempo, é o bastante. E, se não der, não importa - vou optar por arriscar. 

   Já posso ouvir a sua risada dizendo que saímos dessa bolha. Repito: você, eu, nós - tudo isso quando se torna um, vale a pena lutar. Porque você atura minhas risadas espontâneas, meu olhar indeciso, meus abraços de refúgio, meus beijos românticos, meu sexo tranquilo ou selvagem, meu mundo da lua caduco ou, simplesmente, o fato de algo me ligar a você e você a mim - algo que não se encontra no significado apenas do amor.