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5 de abril de 2013

Amor e outras drogas




Ela estava convicta que o amor era assim: "Preciso de você sempre aqui; por favor, não vai embora; metade da laranja". Aquela sensação que se sente apenas uma vez,  aquela vez que tudo parece bonito. Ela acreditava que o amor era uma necessidade absurda de ter alguém, cuidar de alguém, trocar algo que chamam de amor com outra pessoa. A culpa não era dela, não explicaram que nem sempre é recíproco e ao decorrer dos anos (e dos baques) a vida vai nos levando para uma experiência nova. Os nossos olhos ficam mais acostumados com a verdade e o coração representa o que ele realmente é, até parece fácil. Ele estar em nós para bater, não para ter sentimentos. O coração foi transformado numa metáfora para suprir a dor que realmente nos causa. Foi quando, num dia desses que nem imaginamos que mudará nossa vida, ela inventou de encontrá-lo (vê-lo outra vez) e sugeriu a lanchonete da esquina. Finalzinho de tarde, jovens nas praças, casais apaixonados e um sorriso no rosto de uma menina que acreditava estar num conto de fadas. 

Achá-lo ali foi fácil, ele a esperava na entrada da lanchonete. Aquele estilo de atleta com chiclete na boca, óculos escuros e uma motocicleta estacionada. "Oi", "Oi". Ela o abraçou forte, sim, ela o abraçou. Ela não conseguiu sentir a falta do abraço dele naquela hora. Porque ele simplesmente não a abraçou. Nem a falta de outras coisas que precisaria sentir.  "Mas o que eu fiz de errado? Eu beijo mal? Me fala!" A menina não sabia mais se questionava o porquê ou o que ela precisaria mudar. E, mudar algo, implica modificar algo que não estar dando certo. Mas auto se mudar é algo que implica mais que uma escolha, é uma necessidade que só cabe de nós para nós.

"Apenas não estou mais afim, você tem que entender". 
"Entender? Não estou conseguindo entender, porque tudo simplesmente dói".
"Você levou tudo tão a sério. Se toca, menina."
"Os passeios, os sorrisos dentro do cinema, os seus abraços..."
"Para. Para e se torna mais mulher" - ele disse olhando nos olhos daquela menina que, naquele exato momento, estava descobrindo como era continuar vivendo aguentando a dor. Ela não conseguiu pensar nela, mas pensou em todas aquelas mulheres da praça. Pensou em como é difícil amar demais, em como é perigoso mergulhar de cabeça numa praia desconhecida, em como os sentimentos vão se esgotando. Pensando que todos carregam uma dor consigo em silêncio. E continuam vivendo. Viu ele indo embora e aguardou dentro de si a verdadeira lição dali. Ali estava indo embora o cara responsável por deixá-la no mundo da lua e o mesmo responsável por empurrá-la em meio ao espaço. Flutuando para outro planeta sem resposta. 

Ele estava deixando de ser o cara que ela amava para se tornar mais um. Mais um que teve que virar um texto para ser desabafado por completo de sua vida. Ou, simplesmente, apagado.