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14 de maio de 2013

30days: 14. Tenta se amar mais um pouquinho





Ela fechou a porta e deixou para trás uma noite de lua cheia. Não conseguiu entrar no seu quarto, não conseguiu sair do primeiro passo – ela apenas cedeu ao chão gélido e se derramou aos pensamentos que tentou esquecer durante dias. Aquela garota sabia que tinha que reerguer a cabeça, saber seguir em frente, conhecer outros caminhos do mundo e, o essencial de tudo, apostar na felicidade. Suspirou firme, última cartada. Levantou com coragem, mesmo com todas as imperfeições, sentiu que era a hora da mudança – seu próprio socorro era a si mesmo. O quarto não estava muito longe, mais alguns passos e se jogaria na cama com um sorriso no rosto. Sorriso? Sorriso do doce recomeço. Mas daí ela olha justamente para aquele lugar que ninguém jamais olharia: aquela caixinha esquecida na estante. Malditos objetos que nos trazem esses pensamentos. Por que não os joga fora ou simplesmente os trata apenas como objetos? Não os trate como algo que causará esse turbilhão de sentimentos. Tire esse poder deles, dê o poder a você.

Os segundos se tornam minutos e assim por diante, sente uma vontade louca de abrir e se deixar fantasiar por tudo que foi mágico. Mas o que aconteceria depois? Muitas coisas. Seus pensamentos voaram pela janela. Seja forte, menina. O que te impede? Não deixa que essas dores ocupem todo o espaço. Não deixa que essas dores te impeça de ser uma menina feliz. Não tire o seu encanto sobre as pessoas, elas não tem culpa da tua dor de agora. Vai perder a vontade amar de novo por conta de uma escolha ruim? Pensa bem. Vai se arriscar a uma vida infeliz (é, infeliz, porque ninguém é completamente feliz com um lado escuro no coração) por conta de um não? De novo, pensa bem. Vai que não foi uma escolha tão ruim assim? A gente precisa de experiência nessa vida, menina. A gente precisa quebrar a cara mesmo para começar a dar a valor àquelas pessoas que sempre estão lá, sem estão dispostas a nos ceder um abraço apertado.

Aquele vizinho que escuta música, é ele mesmo, ele não tem culpa se você está sofrendo por um amor que se perdeu. A sua mãe te avisou sobre o risco e mesmo assim você quis errar sozinha porque queria aprender com os próprios erros. Aprendeu? Só sente dor não é verdade? Mas isso passa. Tudo isso aqui passa, menina. Tuas amigas te contaram que ele sempre ficará nos teus pensamentos e quando for lembrar serão lembranças de dor. Deixa elas. Deixa estar. Tenta se amar mais um pouquinho e experimenta dessa sensação. É maravilhosa. Já tentou colocar aquela sua música favorita e dançar que nem uma sem juízo de frente ao espelho? Não? Tenta. Já fiz isso e me cansei de tanto rir. Me fez bem.

Você sabe que tem que reerguer a cabeça. Sabia que ficar guardando dor causa doença? Ela tem um nome complicado, mas ainda é doença. Causa dor-aguda-masoquista aquela pessoa que não quer mais vencer e se permite sofrer por algo. É hora de colorir a sua vida. Se encontrar de frente ao espelho, enxugar as lágrimas de tristeza e chorar de rir, encontrar aquela sua amiga e ouvir os problemas dela também, descobrir um hobby, pedalar toda a avenida, curtir uma festa dentro de si, gritar até ficar sem voz, se permitir amar novamente - e não digo amar para se tornar um relacionamento, mas amar as pessoas todos os dias. Você, eu, todos nós tem algo em particular e que nos tornam únicos. Você é única, seu sorriso é único, seu andar é único. 

A gente passa todos os dias por um mar de evolução dentro da gente e fora também. Não retroceda, avance. Avançar é bem mais divertido do que por no repeat aquilo que já te causou mal. Aquilo que já te causou dor é como óleo, não se dá com água nem com sua provável felicidade. 

E sabe por quê? Porque a gente tem que se permitir primeiro, antes que coloquemos essa expectativa em alguém. Permitir que alguém encontre nossa própria bagunça é um tiro no escuro. Arrume-se primeiro e vá.




30 dias de escrita, dia 14 (Use elementos de fantasia)