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20 de maio de 2013

30days: 20. Sábado de dezembro


Eu gostei quando você chegou e nem se importou com minha inexperiência de uma troca de olhares numa noite tão propícia a uma cena de novela. Aquele cavanhaque acompanhado daquele sorriso sacana me contaram que tudo seria por segundos e nem chegou a doer quando te vi embora. Apenas bateu uma saudade e um desejo que aquela madrugada se prolongasse um  pouco mais. Porque você sabia, eu também sabia, que toda aquela nossa história só seria escrita naquele dia na praia com os amigos. Aquele seu papo de moleque - sem eira nem beira - que me puxou com jeito e me deixou presa na sua praia. Nos conhecemos num sábado a tarde quando caminhávamos para o mesmo destino: um luau. O que dizer? Você me respondeu com um somos jovens e que a vida era aquilo que podemos fazer dela. Fazer valer a pena.

Você tem aquele beijo que machuca e alivia ao mesmo tempo. O típico beijo lento que me tira do sério. Mas você tinha aqueles braços que me envolviam e que me preenchiam naquela noite fria com o teu calor tão único que me deixava sem chão. Em momentos fechei os olhos só para guardar aquela última imagem que via de você - aquele seu sorriso de moleque, mas que tinha tanta história pra contar e que eu apenas me satisfazia com aquelas suas observações de que nunca tinha visto um olhar como o meu. Você me prendeu na sua rede sem piedade. Quis uma troca profunda como dois adolescentes apaixonados num verão esquecido entre tantas lembranças. 

Ouvimos o cantar das sereias e deixamos ser iludidos por um encontro casual - desenhamos nossos nomes na areia da praia bem pertinho da beira do mar e assistimos aquela onda apagar nossos nomes e levar a nossa história. Na verdade, aquela noite em que conheci você, um rapaz cheio de interrogações e reticências, mas que visitou a minha atmosfera e logo se foi. Porque há coisas que devem passar logo e só ficar o que nos aconteceu como lembranças para serem contadas entre amigas e risadas. Sabe, você foi o meu exemplo de que as pessoas não precisam estar do seu lado  para se tornarem inesquecíveis. Aceitei o seu carinho, o seu dengo, suas gírias, seu abraço sem jeito e tudo aquilo que te torna único apenas por algumas horas e mais alguns minutos. 

Você se foi levando uma descoberta daquela menina que você encontrou do nada e que permaneceu por mais alguns dias. Porque a gente ficou tão bem que parecia que nos conhecíamos de outras vidas e eternidades, mas sempre no mesmo nível: um encontro que fica e noutra vai. Um encontro que encontra, mas não dói. Agora estou lembrando daquelas nossas mãos entrelaçadas e da gente tentando contar as estrelas do céu - ouvindo o pessoal cantar Cazuza - o tempo não para e nossos sussurros para que o tempo parasse ali e só voltasse em nossa vontade. Então, estou decretando que estamos no passado, presente e futuro - estamos numa outra dimensão.
Protagonistas daquele sábado de dezembro com beijos iluminados pelo raiar do sol. 

O domingo foi nossa ressaca de um bem tranquilo que se foi. 


30 dias de escrita, dia 20 (Um dia na praia)
Ops: Baseado em fatos reais! hihihi