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5 de maio de 2013

30days: 5. Me esvaziando de você


Hoje não foi um dia comum. Hoje eu parei para analisar minha vida e escutar aquele sussurro tão baixo que não tinha mais forças para gritar. Tudo isso estava lá dentro de mim e me permita ocultá-los sem nenhum motivo aparente. Estava me sentindo só (na verdade eu estou, meu bem) e quis pensar um pouco sobre aquilo que temia falar - aquilo que leva teu nome e que em todos os textos tem o seu aroma ou tempero. A lembrança daquele seu abraço num parque da cidade e aquele seu beijo com gosto de saliva que permitia sentir o mundo em minhas mãos. Você, um cadinho a cada dia, foi me selando definitivamente a você e a todos os seus caprichos que não me permitiam enxergar o quão errado tudo isso era. Eu, tão louca varrida/ tão sonhadora sem vírgulas/ tão cheia de sorrisos bobos que sempre queriam te encontrar e não  te encontravam porque estávamos em caminhos distintos e só percebi isso tarde demais. Eu, tão cheia de possibilidades que o nosso romance durasse mais tempo que o fim das novelas e aquele 'the and' fosse apenas o nosso começo. Eu, tão cheia de erros (como você) agia como se amasse pela primeira vez.

Você com todas aquelas suas manias de misturar café com leite e bolachinha pela manhã, e eu achando isso tão chato porque acreditava que você estava tirando todo o sabor do café que eu tanto gostava, mas eu achava isso tão teu que não percebia que eu estava virando um café-com-leite/ nem quente nem fria. Estou aqui pensando em qual estrofe de 'nós' eu permitir me perder dentre tantos capítulos e só descobrir esse desfecho tão errado no último capítulo desse livro de um só exemplar. Quando você me ganhava por tão pouco e eu, que nunca te ganhei de verdade, logo eu, que te dava tudo que tinha em mim e tudo aquilo que achava bonito do mundo. Logo eu, moço, logo eu que te beijava sem pressa e criava aquela cena em câmera lenta. 

Ainda estou aqui com os olhos fechados e repetindo que hoje não foi um dia comum. Hoje eu não coloquei aquela nossa música para pensar em nós dois, hoje eu coloquei aquela nossa música só para lembrar das tantas coisas vagas que foram nos destruindo. E só deixei de lado. Apenas de lado. Quis apagar ou esquecer, vai saber.

A dor é tão grande em admitir que remei sozinha até o outro lado da praia/ a dor é intensa em saber que você pulou do barco na primeira tempestade e preferiu lutar sozinho pela própria vida do que por nós dois. Estou cansada. Suspiro o cansaço que é pesado por dentro. Te digo que os sentimentos (todos eles) são mais pesados que o próprio mundo na palma da mão - eles não cabem dentro de nós e querem ser gritados por todos os cantos. E, angustiados por não serem atendidos, vão nos destruindo a cada dia. Sim. Estou na beira da praia exausta por uma luta que nunca existiu - por algo que fora apenas meu e sem mínimo nenhuma vontade tua.

Cá estou, meu bem. Cá estou me esvaziando de você. Porque chegou o momento, chegou a hora, finalmente chegou esse dia. Finalmente estou diminuindo esse peso e me abstraindo de toda aquela dor que suas poucas palavras me causaram. A minha sensibilidade chegou ao estopim e apenas me restou essa vasta correnteza que vem de dentro sendo arrastada pela maré. Ninguém errou, afinal. Não há culpados. Estou abrindo os braços na areia da praia. Ninguém errou porque nunca houve uma questão a ser resolvida. Apenas existia uma interrogação no lugar da exclamação. Enquanto você queria apenas um ponto final, eu sempre estava querendo uma vírgula e não entendia os teus sinais sobre o ponto final do nosso estrofe. Eu sou uma mulher cujos pensamentos são os mais loucos, porém, em busca de paz. 

Talvez, eu seja um experimento que tenha dado errado e que, por acaso, venha ter vindo parar neste mundo tão caduco quanto eu. Não há como ser entendida quando ninguém te conhece por dentro. Nem você mesmo. Só sei que agora sou apenas silêncio e que isso me deixou, completamente, esvaziada de você. 

30 dias de escrita, dia 5 (Inspire-se na sua música favorita)