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29 de junho de 2013

Hey, Tom



Hey, Tom.
Como você está? Te convidaria para entrar na minha casa e tomar um chá com duas colheres de açúcar, ouvir sobre os seus projetos ou discutir sobre algum filme de Bergman. Acredito que as coisas não poderiam terem ocorrido de outra maneira. A gente começa a acreditar na fantasia quando começa a fazer parte dela. Sim, estou aqui - estou numa sala repleta de momentos únicos e tão certeiros.

Como  pular de um penhasco quando não se tem certeza se quer morrer? É como se fôssemos a espada de Excalibur (aquele que só o rei Arthur conseguiu bradar). Estamos sempre a espreita, à espera da pessoa certa a conseguir nos atingir. Sabe, Tom, eu nem sei porque estou escrevendo essa carta - tenho quase certeza que ela não vai sair da minha gaveta e em breve eu irei rasgá-la por não fazer sentindo algum.

Tem momentos em que eu penso nas nossas corridas de bicicletas, nas idas ao cinema, da lanchonete lotada. Também consigo recordar de como você conseguia um sorriso fácil e da certeza que eu tinha que meus olhos conseguiam penetrar no mais fundo da sua alma - mesmo que eu não conseguisse compreender como tinha chegado lá. Isso me deixava chateada. É porque não conseguia sentir o mesmo em mim. Não ter certeza é tão cruel, não é? Parece que machuca mais e mais um pouco. Mas eu tinha certeza desde o início  - talvez você tenha tentado tirar a Excalibur e, mesmo falhando na primeira tentativa, você foi tentando todos os dias na esperança de um dia conseguir. 

Mas é o destino. Irônico, não? Parece que o amor realmente existe e acreditei nele quando estava na lanchonete lendo aquele livro do Dorian Gray. Aquele rapaz foi a minha beleza escondida que eu recusava a ver. A certeza de algo que não imaginava que existisse. Sabe, Tom, não houve um nós. Houve uma tentativa de troca, uma possibilidade, uma pontinha de esperança em meio a ventania. Você é um rapaz incrível. Ainda dou risada quando lembro da sua voz desajustada e da sua coreografia estranha. Quando dançamos pela primeira vez e senti sua presença tão protetora a mim, do seu rosto encostado ao meu e do seu sorriso tão seu, estranho, talvez. 

Eu entendi que a gente não escolhe com quem a gente vai se envolver, se encantar, se apaixonar. As coisas só mudam quando você recebe a resposta da outra pessoa e começa com ela aquilo que você nunca imaginou  que iria passar. É como estou, Tom. Estou numa trilha que nunca imaginei que iria escolher. Você me encontrou, mas eu estava na outra rua, numa outra estrada, numa outra direção. Fui sua miragem por pouco tempo e parece que fui causadora de um estrago. Pude ver o amor de outra maneira e isso me deixou preocupada. Mas algo rápido. Dessa eu vez eu tenho certeza. É a certeza que não pude sentir com você. É algo tão duro, não acha? As palavras podem ser mais duras do que imaginamos, mesmo que sejam as palavras que devemos ouvir.

Eu sei que você ainda vai sentar naquele banco e observar as coisas de outra maneira. Hoje eu acredito no amor porque ele não desistiu de mim. É engraçado como as coisas acontecem por acaso e permanecem por todos os motivos do mundo. 

Que você encontre a pessoa pelo seu caminho e não precise pular muros para encontrá-la. Quando desviamos daquilo que traçamos para nós, temos o risco de nos perdermos e nunca mais voltarmos. Estou torcendo, Tom. Uma mulher que goste de dançar abraçadinho enquanto você sussurra no ouvido, que goste de ficar no lado direito do cinema e pipoca misturada com bacon. Que não te trate com tanta indiferença. É, é isso. 

Beijos,
Summer.


(Me desculpem por esse texto, 
não entendi bem o porquê de escrevê-lo, 
mas ele tá aí. )