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13 de junho de 2013

Memórias



Chove. Estou escrevendo numa folha em branco e lá fora chove. Aqui tento descrever a dor que vem lá de dentro, uma dor aguda que incomoda e me deixa impaciente. É que lá fora está chovendo, mas dentro de mim está tendo uma tempestade e não tenho guarita. Estou chorando por dentro, me alagando entre desesperos e soluçando em emoções.  Me perdi dentro de um escuro que eu mesma criei e não consigo encontrar a saída - estou sentindo o cheiro da chuva e querendo me entregar a ela. Aqui estou. Você também estava comigo e me transmitia algo de paz. Você era a minha guarita, meu abraço, o meu momento de reflexão. Ando tendo medo de conversar comigo mesma e me descobrir outra. Tenho sonhado com você com mais frequência e, ainda sim, em dias claros. Penso em você dentro de uma cena de novela me convidando para sair. Meus dias contigo eram dias de paz. Desculpa, é que está doendo tanto. Sinto estar sendo quebrada aos poucos por dentro e só me resta os cacos a serem juntados. Remendados. Nunca mais serão os mesmos. 

Eu te quero bem, você me quer bem. A nossa relação passou e parece que foi ontem que te encontrei pela primeira vez.  Tudo isso se assemelha a um ciclo vicioso e sem fim. Omitindo os erros, as brigas, os pensamentos maus. Queria ter apostado em nós, na verdade, queria ter apostado todas as minhas cartas. Eu sou um ser humano absoluto em ter medo de sentir. Você dizendo que eu era tão par e você tão ímpar, que não tínhamos semelhanças e que arriscaria me amar hoje e amanhã (sempre) - e eu tão sem saber lidar,  querendo passar uma força que não tinha. Você me encontrou num momento de risco e estendeu a mão pronto para me salvar, me carregar, cuidar de mim. Eu, que num momento tão egoísta me permiti ser contemplada por esse carinho só seu. Aqui ainda chove. 

Você tinha um gosto bom de amor suave. Antes de você, apenas amores amargados e ligeiros tinham passado. Depois de você, houve uma distinção entre tudo isso. É que você completava o meu quebra-cabeça e cuidava do que tinha guardado dentro do meu coração - eu me encontrava no sorriso dos seus olhos e me perdia em sua boca. Lembro de tudo isso e da paz que você me deu. Penso em você como a  corda que me salvaria do abismo, mas que desisto de sair  por medo do que iria encontrar lá fora. Também te comparo com aquele abraço quente num inverno e aquela risada de doer a barriga. Tenho vontade de fugir desse meu melodrama e agarrar teus problemas, resolvê-los, ou, simplesmente, jogá-los fora. Essa situação de lembranças é mais dolorida do que o que aconteceu. Você me abraçava forte a ponto de querer juntar-se a mim e querer me compreender por dentro.

O que aconteceu? Eu parei no meio do caminho e você me olhou com uma pergunta tão simples, eu, tão egoísta e mesquinha, decidi que deveríamos ir por outros caminhos. Eu queria fugir de alguma dor que ainda desconheço. Queria te encontrar nessa chuva e pedir para que você ficasse mais uma vez. É que tudo é tão cinza sem você aqui ou sem aquelas suas piadas sem graça que me faziam rir de alguma maneira. Tudo isso é minha perspectiva, tudo isso é porque estou no meu paraíso sombrio e isso me sufoca. Tudo bem, eu também queria dizer que sinto sua falta. Sinto falta de como eu era com você, do meu coração tranquilo, dos meus olhos apaixonados. Sentir o 'eu te amo' tão perto e poder repetir sem cansar. Também sinto falta da sua timidez que sumia dentro de um cinema. E que foi no cinema também em que você me pediu em namoro e que nos beijamos até o lanterninha chegar. É, sinto falta de nós.

E apesar de chover aqui, o céu estar cinza e ter previsões para uma semana inteira de chuva, o momento do sol vai vir. Como também isso irá passar, eu irei juntar tudo isso em minha memória e esses pensamentos não me deixarão dormir. Porque é você. Porque é difícil, tão de repente, não estarmos mais no mesmo lugar. Tudo isso são memórias que eu tive nesse dia de chuva.




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