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6 de junho de 2013

Quase duas décadas


É engraçado olhar para trás e sentir que você só mudou por dentro, depois de tantas experiências que teve que passar e seguir em frente - também é engraçado saber que dá pra esconder tudo isso dentro de um sorriso, mesmo que dure por segundos, a defesa é invencível, todos acreditam que você realmente esteja feliz. Aprendi nesses anos (se passaram tão rápido) que nem todos querem saber como realmente você está.

Tudo foi se tornando tão mais claro e tão sensível, mas sensível do que aquele fora que levamos ou aquele fracasso da adolescência. Sim, estou relembrando de quantos temporais em copo d'água eu criei, de quantas folhas riscadas com o meu nome e o do rapaz eu desperdicei, de quantos sonhos foram deixados para trás porque pensei que nunca chegaria lá. Os filmes sempre são mais fáceis nessa hora. Mostram um começo sonhador, um meio difícil e um final com vitória.

E o que falar dos amores que se foram? Todos se tornaram parte de mim hoje. Aquele amor que não aconteceu, aquele amor passageiro, aquele amor tímido, aquele amor misturado com paixonites agudas, aquele amor que sempre fica com você, aquele amor que não cansa de ser lembrado, aquele amor pelo professor, aquele amor pelo rapaz desconhecido do ônibus, aquele amor correspondido que acabou sem doer e o outro que doeu. Tudo isso passa pela nossa vida.

Aquela frase "Tudo passa" se torna mais forte agora. Tudo isso passa, até aqueles momentos maravilhosos que imaginávamos lembrar todas as noites... Esse pensamento passa. Aí vem outro pensamento mais forte e quer superar o anterior, aí passa de novo. Parece um ciclo sem fim dentro da gente. Aprendi nesses quase vinte anos que realmente existe amor que supera o tempo e que fica guardado, mesmo que a gente nunca vá onde está guardado, ele continua ali - intacto e pronto para ser tocado de novo.

Também aprendi que existem amizades que superam barreiras e podem ser considerados como uma prévia de um relacionamento. Sempre tive o dom de enjoar das coisas e de algumas pessoas muito rápido, mas algumas delas, simplesmente, ficaram e se tornaram novidades todos os dias. Alguns sonhos ficaram apagados para deixar outros brilharem, um degrau foi voltado para estabelecer um encontro dentro de mim mesmo e, a maior descoberta de todos os tempos, é que a mamãe estava certa.

Mas a vida é feita assim, a maioria aposta em errar para aprender depois. Eu fui uma delas, ainda sou. 
Isso é o que continua dentro de nós, pelo menos até agora.