30 de outubro de 2013

Dias como este

Ontem não foi um dos meus melhores dias. Há dias que são ruins e outros bons. Mas ontem pude sentir o meu coração palpitar tão solitário como um cachorro abandonado na praça, sem remendos ou esperanças. Meus olhos tão pesados por derramar tantas lágrimas e meus soluços intermináveis de puro sofrimento. Tudo vem dando errado desde o começo e não quis enxergar. O meu corpo vem suportando muita coisa só porque o meu coração quis sentir. Estar apaixonada tem seus dois lados. Ser feliz e sofrer. Estou num meio terno incontestável. Fui feliz, mas agora sofro. E a solidão que me atinge tem que ser levada sozinha, por um tempo e quieta. Se queres fazer morada, ficas. Há cinco dias choro por um motivo que antes era tudo. Deixei ser levada por um sentimento tão forte, sentimento que passara apenas uma vez por mim e, agora, mais uma vez. Finais idênticos de pura melancolia, discórdia e dor. Será que os meus olhos os assustam?


Ou meu defeito de falar tão pouco. Quis ser amada de todo coração. Há uma necessidade nisso: Eu amo. Me ama? Mas não sou a pessoa certa. Gostei de cada defeito seu. Do seu modo de sentar na cadeira, da sua risada tão bruta, do seu cabelo bagunçado, da sua camisa tão repetitiva em todos os lugares, dos seus incontáveis sinais, das suas piadas estranhas e desengonçadas, da sua maneira de ver o mundo, do seu pessimismo exagerado, do seu perfume. Vivo cheia de interrogações. O porque de sentir tanto, ver tantos lugares ao mesmo tempo, a incerteza de onde estou e o segundo das minhas memórias plenas. Estou num período longo de estar estável. Nem bem nem mal, apenas morrendo. Afinal, morrer é algo natural da vida. Morrer de amor. Da falta dele. Não sinto o amor das pessoas que estão ao meu redor. Não sinto o calor que o amor proporciona. Estou com frio, todos os dias sinto um frio gigante me abater.

Uma vez me disseram que ver a morte de perto a torna ridícula, quero experimentar ser ridícula. Experimentar a dor rápida ou o sofrimento que levará a eternidade. Sentir minhas memórias irem se partindo, repicando as outras partes e das outras as outras, e chegar ao estágio nulo da vida. 

Me sentir capaz de tentar lembrar de algo e esquecer. Viver nessa procura de entender o meu passado e não encontrá-lo. Zerar a minha vida, meu espaço, meu tempo. Não quis te amar como eu amo agora, mas agora eu amo. Nossa linha tênue estar entre um coração palpitante e um coração tranquilo. Esse é o meu preço e estou prestes a pagá-lo. Não preciso de motivos para agradar os outros, esse é o meu e só acabe a mim. Apenas lembro do gosto da tua boca e sinto ela agora.

E eu tenho certeza que ninguém te amou como eu te amei.
Um final ridículo para uma vida ridícula.


Ela

Ela
Olá, me chamo Arianne Morais e faço Letras na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Criei o blog Eppifania no final de 2010 com a intenção de compartilhar meus textos pessoais. Antes, eu adotava o pseudônimo "Arianne Barromeu", mas em 2017 isso mudou. Além de postar contos e algumas crônicas, o blog também conta com resenhas e indicações de livros.

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