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29 de dezembro de 2010

Primos


Ela busca os seus olhos. Ele busca sua boca.

As memórias passadas vinham a tona.
- Veja-me! – exclamou uma voz feminina – Continuo aquela magrela com finas pernas! Apenas cresci na estatura para desalinhar ainda mais minha aparência.
- Vejo-te como uma mulher. Uma linda mulher – persuadiu uma voz masculina com astúcia. 
– Dizes isso porque és um homem. Homens tendem disso – virou seu rosto, parecia moldar uma cara irritada, mas seu tom é carismático. 
- Na verdade, continuamos como verdadeiras crianças. – exclamou inesperadamente para o seu primo. 

– Mostrar-te-ei uma pequena diferença, prima.

Na verdade, eles estariam discutindo a infância no sofá da sala da Vovó. Mas precisamente este ofício ficara com a prima, já que seu primo demonstrava clareza em suas respostas. Ele sabia que não eram mais crianças, ela sabia que a melhor decisão era enganar-se a si. As formas de seus corpos teriam se modificado. Despertavam ali um homem e uma mulher que relembravam os seus tempos de criança. Definitivamente as sensações primeiramente sentidas já não seriam mais as mesmas. E ele sabia disso. O primo se aproximou um pouco mais da prima, no momento de deslize da mesma. Ele roçou seus dedos másculos – dedos perturbadores para a mente feminina – em meados de sua cocha mais próxima a ele. Ela se assustou, seu tecido epitelial arrepiou-se involuntariamente, ela iria falar algo, mas o seu primo fora mais rápido e aproximou seus lábios em seu ouvido – Se arrepiou, não? – ele deu um sorriso baixo. O seu tom era sarcástico. Ele ousou em subir mais um pouco sua mão levada, e moldou com sua mão toda a cintura formosa da prima. Ela lembrou que uma vez brincaram na areia de moldar o seu corpo na terra, naqueles dias eram risos, hoje eram arrepios. O corpo da prima já cairia aos poucos no deslize hormonal, e decairia um pouco mais sobre o sofá. Ela sabia que cederia, ele sabia que ela sabia.

Eles agora não mais falavam a língua dos homens, aprenderam rápido o linguajar apenas falado em momentos de posse conjugal. Os raios quentes que transpassavam a janela da sala, agora ofuscavam aquele corpo despedido que antes envergonhado estaria sendo tocado veemente por mãos graciosas. Ele beijava loucamente seus pés, suas cochas, seu corpo. Ela não imaginava mais o passado. Suas mãos saberiam como moldar à seu gosto seus seios redondos e os graciosos agradecimentos eram proferidos ao relento de suas audições. Passaram a perpetuar o sublime do minuto presente e a transfigurar o sublime do minuto seguinte. Para eles aquelas cogitações de ligações não teriam fim. Passos vinha ao seu ninho, eles não se interessavam nos sons dos fundos. A prima ecoará o desmanche da felicidade, as mãos dos primos decaíram lentamente pelo seu corpo nu. Eles estavam satisfeitos.  Ela sabia que era uma mulher, ele sabia que a tinha tornado uma mulher.

– Veja-me... – exclamou desta vez com uma voz cansada. – Olhe-me... – ele a cortou. – As sensações sentidas hoje não serão as mesmas sentidas amanhã.

Ela busca os seus olhos. Ele busca um refúgio desconsolado nos olhos da avó. Horrorizada, era a única telespectadora da cena dos primos.




Ps: Eu sei que esse conto é fraquinho, mas foi a epifania lançada há uns dias e estava com saudade de atualizar por aqui.