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5 de janeiro de 2011

Era primavera




Era uma linda primavera de 1935, estação onde o desabrochamento das flores é alvo de intensas criticas e admirações. Também ocorria um desabrochamento dentro de mim, não era público era dentro. O aroma encantado era apenas percebível a mim e quando acontecesse o toque esplêndido; acompanhado da medida intimista, este esplendor perfumaria todo o lugar.  Por fim, ele ainda não teria sido encontrado e ainda repousava solenemente sobre mim. Possivelmente, eu facilitaria seu encontro, no entanto, não poderia atrevei-me a demora. A pequena saída à francesa que teria dado dentre meus parentescos, fora com uma desculpa clichê de todas as mulheres. Apressava a me aprontar - com vestes duma flor, como ele falava - para atrever-me a pisar em terrenos desconhecidos dos meus familiares. Em rápidos segundos, meus olhos apressados procuravam uma movimentação distinta através da janela, mas os risos e conversas eram ainda mais gritantes.

O mal foi por ti esconjurado e eu ousei o que jamais tinha ousado; abençoada repousaria em seu peito e encontraria a pólvora da paixão.  Meus pensamentos eram soltos, mas ainda sim certos. As testemunhas vivas da minha fuga da tarde, apenas seria a natureza – a tão bela e viva natureza me levaria com um sorriso aos braços do meu amado. Lá me confortaria de todas as tensões familiares e obrigações que desejaria não cumpri-las. Apenas ele me entendia, ou tentava me entender.

Seu bilhete secreto deixado sobre as sombras de um girassol, alarmou-me a seguir pelo oeste – o sudeste carregava mares de empecilhos. Apavorei-me, não irei negar, meus pensamentos tinham independência de chegar-se até o nosso ninho, hoje teria de carregá-los acompanhados da minha saudade em direções distintas. Porém, não hesitei. O vestido creme que se soltava com sua beleza em cada passo dado, ressaltaria com o perfume francês, seu conjunto de encanto. Calçava sapatilhas – seriam recordações de uma antiga bailarina – e contemplariam a leveza de uma moça apaixonada. Levantei-me e levei comigo a rosa do primeiro encontro.  Elas seriam minhas doces companhias até o seu encontro. Pisadas mansas e quase inaudíveis eu percorria pelo salão principal – meus amigos uniformizados, sorriam, e logo voltam a seus afazeres – vi ao longe as gargalhadas políticas de meus pais; tomei-me a correr. A brisa da primavera incendiava meu rosto, as flores encantadas pareciam sorrir pra mim, retribuía com outro sorriso a elas. Meu vestido destacava meu corpo enquanto corria, meus curtos cabelos tentavam entrar em sintonia com o vento da estação de primavera, meus pés ainda sentiam a grama verde do campo.  – Elizabeth, retornas-te cá, retornas-te cá. – ouvi ao longe. Mas agora seria tarde demais. Aproximei com amor a rosa ao peito e exclamei em alta voz que iria de encontro para a felicidade. 



Para o projeto Bloínquês.

Estou muito feliz, pois quando entrei hoje no meu blog encontrei mais de 100 seguidores e mais 4.000 mil visitas em menos de dois meses. Isso enche o meu coração de imensa alegria, em saber que minhas epifanias estão sendo divididas em cada cantinho brasileiro e estrangeiro. rs Obrigada, blogueiros e blogueiras, leitores e leitoras. São vocês que florescem este blog com o imenso carinho e comentários de cada um de vocês.