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19 de janeiro de 2011

Fragmentos destorcidos


Passos cansados pelo tempo e desgastados pela trajetória de vida, rastejavam poeira em meio a seca.  Um zumbido oco ouvia-se ao relento, enquanto as memórias se desagregavam aos poucos do passado. Um sussurro, outro e outro eram ouvidos constantemente em sua memória, desejara esquecer alguns empecilhos que a regrediram em sua vida. Talvez visse em sua estrada um caminho infinito a seguir, talvez nesse infinito a resposta encontrasse para seu desespero sem fim. Permitia-se sentir saudade do aconchego familiar que antes sentira, apesar das injurias que seus olhos traziam como remorso de uma vida infeliz. A existência permanente do seu bombardeamento sanguíneo era a resposta para sua árdua fuga de um passado traiçoeiro e perspicaz da vida. Seus lábios secos era uma passagem para sílabas intelectuais que se calavam em meio à solidão. Caminhava, caminhava, caminhava.
Não tinha um percurso correto e rígido a seguir, esperava com paciência a soberania divina trazer seu destino que tanto procurava, desejara sentir a mão impiedosa cair sobre seu corpo e não mais parar.  Seus suspiros eram desconcertantes, demonstravam um frio que não era sentido ali. Então sentiu o insensato e impiedoso fragmento do passado. E viu em suas mãos um sangue doentio escorrer sobre seus dedos alvos e minúsculos – desesperou-se pelo reconhecimento da perca que sofrera. Derramou-se em lágrimas sangrentas e ralou de seu próprio sangue seus joelhos na terra batida – viu ao longe uma cena esquecida. Seus olhos, anteriormente, secos se quebrantavam na amargura das lágrimas sangrentas e se ridicularizaram pelos gritos assistidos de crianças ao longe. Sua compreensão se limitava em cada grito de horror que aquelas crianças explodia e sua consciência doentia a importunava como um martírio em declínio. Tentou levantar-se, mas algo a segurava violentamente naquela terra. Não suportara mais a insolência da misericórdia que seu corpo prestava – uma mão pequena a segurou pelo vestido enquanto novamente tentava-se reerguer. 
Sua voz assemelhava-se a de uma criança e seu corpo seguia pelo mesmo conceito, ele dizia bem baixinho que aquela era sua mãe. Outra aparecia do seu lado oposto e gritava ferozmente que a amava, outra outra e outra. Seus soluços eram atrapalhados por sua voz ordenando-os que se afastassem, eles ignoravam. Pareciam brotar de sua consciência e torna-se matéria na realidade. Recorria suas mãos aos seus cabelos como forma de encontrar uma impossível liberdade, seus medos e seus atos a perseguiam aonde quer que fosse. Atormentava-se com aquilo, não queria mais aquilo. Concebeu forças do imaginável e correu em meio aquela estrada infernal, as vozes infantis a perseguiam em meio aquela estrada. Encontrou uma casa. Uma saída. Seus passos insertos e desconcertantes eram guiados por mãos inseguras que bailavam ao ar. Sua boca ofegante desejara encontrar uma saída daquele tormento. Seus olhos passaram pela janela da moradia, viu um anjo inofensivo a dormir. Seus lábios encontraram um sorriso perdido em sua face. Seus olhos imaginaram uma linda cena a entrar em cena. Passos quietos e silenciosos – mãos experientes e perigosamente obsessivas. Não ouvia mais criança, não ouvia mais vozes desconcertantes em sua mente. Suas mãos agora choravam lágrimas de sangue e seus olhos um desejo insaciável de mais.

*Ganhei novos selinhos, vejam os questionários e os repasses atualizados:  Aqui.