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2 de janeiro de 2011

Sim




Eu prometo: para ter-te e conservar-te de hoje em diante, na felicidade ou na desventura, em riqueza ou na pobreza, enferma ou com saúde, para amar-te e querer-te até que a morte nos separe. Sim – ela disse. Sim – ele disse.”

     O mundo gira. E ele não gira rápido como muitos pensam. Ele se movimenta devagar... Lentamente. E nos trai com um golpe certeiro e mais doloroso possível. Pois a morte nos desviscera lentamente. Contudo, não penso na morte no momento. Penso em como evita-la. A palavra evitar tem muitos sentidos, mas para mim o seu significado é apenas um: evitar o homem a quem jurei promessas – hoje quebradas. Penso em como evitar a morte e o desaparecimento do afeto dos nossos olhos. Mas isso não é tão difícil de imaginar, afinal ambos pareceram entregues a este ponto. Lembro-me de uma pequena discussão no quintal, aquilo não foi agradável. Bem, nunca é. Brigas não são nada agradáveis, simplesmente quando é com uma pessoa a qual você jurou mentiras olhando-a nos olhos. E foi isto que fizermos.  Juramos nos conservar a partir daquele dia – a moça sorriu – esta promessa foi à primeira quebrada.

          – James, onde você está? – perguntou uma voz aflita. – Olha... Eu cansei, deu pra entender? Ficar no teu lado só me traz infelicidade – desligou. Ela chorou. Naquele momento eu já não lembrava mais das juras dilaceradas. E sim da profunda magoa que ele teria levantado dentro de mim. Tínhamos conseguido concluir a primeira parte da jura com perfeição. Éramos felizes a certo ponto, mas agora éramos infelizes. A infelicidade parecia ter companhia. Apesar de ser infeliz, estava acompanhada... E muito mal acompanhada. Lembro-me deste dia. Estava na cozinha a preparar algo para mim. James não vinhera jantar como as outras noites. Apenas o via rapidamente na saída para o trabalho. Notei contas a pagar sobre a estante da cozinha, contas que acumulavam meses de débito. Por que aquilo já não me entristecia mais? Guardei-as em meu quarto. Então ele chegou, chegou como todas as outras noites. Estressado, possivelmente bêbado, e de mau humor. Então como um impulso...

          Momentaneamente meus dedos se esquentaram e parecia soltar uma faísca ao entrar contato com o seu rosto, minha respiração se tornou um pouco ofegante pela coragem daquilo, mas, minha coragem durou poucos segundos. Eu não entendia, mas minha visão poderia calcular e visualizar seus movimentos em lentidão. E como modo de defesa, mergulhei novamente minha mão em seu rosto, mas ele impediu. O encarei. Ele me encarou, mas aquele já não era mais ele. Uma lágrima rolou sobre minha face.

“Sim – ela disse. Sim – ele disse.”